Fake news sobre Pix abriu caminho para esquema bilionário do crime com fintechs

Desinformação viral nas redes ajudou a postergar regras de controle e facilitou operação clandestina de fundos ligados à maior facção do país

As redes sociais tiveram um papel crucial em um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cifras bilionárias. No início do ano, conteúdos falsos sobre uma suposta taxação do Pix viralizaram, gerando desconfiança e pressão social que levaram ao adiamento de medidas regulatórias no setor financeiro. Essa brecha foi explorada por grupos criminosos para operar livremente por meio de fintechs, que atuavam como bancos paralelos, permitindo transações fora do radar das autoridades. Um dos conteúdos mais compartilhados foi um vídeo de um deputado federal, o que gerou uma onda de críticas e deu origem à chamada “revolta do Pix”.

Empresas investigadas no esquema operavam na área de combustíveis e usavam estruturas legais como fundos de investimento, usinas, postos e importadoras para encobrir movimentações ilícitas. Um dos alvos era uma instituição que movimentou R$ 61 milhões em espécie e oferecia contas que evitavam rastreamento. Estima-se que o patrimônio total envolvido ultrapasse R$ 30 bilhões, com investimentos em imóveis de luxo, caminhões, fazendas e até um terminal portuário. Produtos como diesel e nafta eram importados e revendidos em postos de combustíveis em dez estados, sendo utilizados também para disfarçar a origem do dinheiro.

A desinformação sobre o Pix não só gerou instabilidade política como também, segundo autoridades, favoreceu diretamente o fortalecimento de organizações criminosas. Isso porque, com as regras travadas, o grupo pôde operar por anos sem a fiscalização devida. Mais de 40 fundos foram identificados como parte do esquema, muitos ligados a empresas situadas em regiões nobres do mercado financeiro. O volume de tributos pagos pelas empresas era extremamente inferior ao que seria esperado diante do tamanho das operações, levantando suspeitas de fraude fiscal.

Como resposta, um novo conjunto de normas está em elaboração, com o objetivo de fechar as lacunas legais que permitem a atuação dessas fintechs fora dos padrões exigidos dos bancos tradicionais. A proposta é reforçar que não se trata de criar novas taxas ou tributos, mas de igualar as obrigações de transparência para todos os tipos de instituição financeira. Enquanto isso, um parlamentar solicitou que a mais alta corte do país apure possíveis crimes relacionados à disseminação das fake news que atrasaram o combate ao esquema.

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