Lavagem bilionária em endereço nobre: operação revela esquema do crime em plena Faria Lima

Empresas de fachada e fundos de investimento camuflavam bilhões do PCC no coração financeiro de São Paulo

O centro financeiro mais prestigiado de São Paulo, a Avenida Faria Lima, se tornou palco de uma megaoperação que revelou a presença discreta, mas poderosa, da maior facção criminosa do país. Mais de 40 empresas suspeitas de participação em um esquema de lavagem de dinheiro operavam na região, incluindo fintechs e fundos de investimento que davam aparência de legalidade ao capital ilícito movimentado pelo PCC.

Só em um edifício, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão. Os alvos: escritórios de fachada que serviam para movimentar e ocultar recursos vindos da adulteração e venda irregular de combustíveis. O modelo usado pela facção envolvia a criação de empresas altamente sofisticadas e o uso de brechas na regulamentação do mercado financeiro, que permitiram a evasão de mais de R$ 7,5 bilhões em impostos. As fintechs, com seu uso intensivo de tecnologia, foram apontadas como o elo mais estratégico da operação criminosa.

A investigação conjunta do Ministério Público e da Receita Federal detalhou um funcionamento preciso: o dinheiro ilegal era transferido para fundos, sobretudo do setor imobiliário, onde era “limpo” e até se multiplicava. Documentos e equipamentos apreendidos devem expor a estrutura completa do esquema, incluindo nomes, contas e bens de todos os envolvidos. Para as autoridades, essa operação revela não só o alcance do PCC, mas também os riscos da fragilidade nas normas que regem o sistema financeiro alternativo.

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