Após captura de Maduro, Trump fala em possível ação militar contra a Colômbia

Governo colombiano questiona a legalidade da ação na Venezuela, enquanto Trump admite possibilidade de medidas mais duras na região

Um dia após a operação realizada na Venezuela que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez declarações que ampliaram a tensão diplomática na América Latina ao mencionar a possibilidade de uma ação militar contra a Colômbia.

Em conversa com jornalistas a bordo do Air Force One, Trump criticou duramente o presidente colombiano, Gustavo Petro, e respondeu de forma afirmativa ao ser questionado sobre uma eventual operação militar americana contra o país. “Parece bom para mim”, disse o republicano, sem detalhar quais medidas poderiam ser adotadas.

As declarações ocorreram após Petro classificar a captura de Maduro como um “sequestro”. Em publicação nas redes sociais, o presidente colombiano afirmou que, sem base legal para uma ação contra a soberania venezuelana, a detenção do líder do país vizinho não poderia ser considerada legítima.

Trump e Petro mantêm uma relação marcada por divergências públicas. O presidente colombiano é um crítico frequente das ações militares dos Estados Unidos na região, especialmente aquelas justificadas pelo combate ao narcotráfico. O governo americano, por sua vez, já acusou Petro de complacência com o tráfico de drogas.

Durante coletiva no sábado, na qual detalhou a operação na Venezuela, Trump intensificou as críticas ao líder colombiano e afirmou que Petro deveria “ficar atento”, após o presidente da Colômbia declarar que não teme ser um possível próximo alvo das ações americanas.

Além da Colômbia, Trump comentou sobre a situação de Cuba, aliada histórica do governo venezuelano. Segundo o presidente americano, o país estaria “prestes a cair”, principalmente devido à dependência do petróleo venezuelano subsidiado. Trump minimizou a necessidade de uma intervenção militar direta, avaliando que Havana teria dificuldades para sustentar seu governo nas atuais condições.

O presidente dos EUA afirmou ainda que integrantes cubanos que faziam parte da equipe de segurança de Maduro morreram durante a operação na Venezuela. No domingo, o governo cubano informou que 32 cidadãos do país morreram em combate durante o ataque americano.

As declarações de Trump também incluíram referências a outros temas de política externa, como a possibilidade de ações em território cubano e a reiterada defesa de que os Estados Unidos “precisam” da Groenlândia, assunto que já havia sido levantado pelo presidente antes do início de seu segundo mandato.

O episódio ocorre em meio a um cenário de tensões diplomáticas e reposicionamento estratégico dos Estados Unidos na América Latina, com impactos diretos nas relações com governos da região.

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