Departamento de Justiça dos EUA altera denúncia após captura do ditador venezuelano em Caracas
O governo dos Estados Unidos recuou da acusação formal de que Nicolás Maduro chefiava o Cartel de los Soles, optando por descrever as atividades ilícitas como um “sistema de clientelismo”. A mudança estratégica ocorre após a captura de Maduro por militares norte-americanos no último fim de semana, conforme informações publicadas nesta terça-feira, 6 de janeiro. Embora a alegação de uma organização formal tenha sido abandonada, o ditador ainda responde pela acusação de conspiração para tráfico de drogas.
A nova versão da denúncia, atualizada pelo Departamento de Justiça, substitui a narrativa de uma liderança direta de cartel por uma “cultura de corrupção” alimentada pelo narcotráfico. Os promotores agora argumentam que Maduro e seu antecessor, Hugo Chávez, protegeram elites que se enriquecem com o crime, utilizando os lucros para manter a lealdade de funcionários civis e militares. O termo Cartel de los Soles passa a ser tratado como uma referência ao sistema de favores e à insígnia militar venezuelana, e não mais como uma estrutura criminosa rígida.
Especialistas e documentos oficiais indicam que o envolvimento governamental no tráfico permanece no centro do processo, apesar da revisão terminológica. A acusação atualizada enfatiza que o sistema comandado pelo topo da hierarquia venezuelana facilitou a importação de cocaína para os Estados Unidos ao longo de décadas. O recuo jurídico busca alinhar o processo judicial à realidade das provas colhidas, mantendo o foco na imunidade diplomática e crimes federais que fundamentaram a operação de captura do líder venezuelano.








