Jovem iraniano é condenado à morte por ‘inimizade contra Deus’ após protestos

Erfan Soltani, de 26 anos, deve ser executado nesta quarta-feira (14) em processo denunciado por falta de transparência.

O regime do Irã programou para esta quarta-feira, 14 de janeiro, a execução de Erfan Soltani, jovem de 26 anos preso sob a acusação de participar de manifestações contra o governo. Soltani foi condenado pelo crime de Moharebeh, termo jurídico-religioso que significa “inimizade contra Deus“, uma das imputações mais graves do sistema judicial iraniano e que frequentemente resulta em pena de morte. De acordo com organizações de direitos humanos, como a Hengaw Organization for Human Rights, o julgamento ocorreu de forma acelerada, sem transparência e sem o direito à defesa por advogados.

A família de Soltani relatou ter tido acesso a apenas uma visita de despedida, com duração de 10 minutos, no último final de semana. A irmã do jovem, que é advogada, tentou intervir legalmente para barrar a sentença, mas foi impedida de acessar os documentos do processo pelas autoridades. Entidades internacionais denunciam que os familiares sofreram ameaças para não divulgarem o caso. Soltani, que trabalhava na indústria têxtil e era entusiasta de esportes, já estaria sendo vigiado por agentes de segurança antes de sua prisão em Kurtis, ocorrida no dia 8 de janeiro.

A condenação ocorre em um cenário de violenta repressão às manifestações motivadas pela crise econômica no Irã, iniciadas em dezembro. Estimativas da ONG Iran Human Rights apontam que ao menos 648 pessoas morreram nos conflitos, enquanto o acesso à internet no país permanece bloqueado em 99% do território para impedir a organização de novos atos. O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, reafirmou que o governo não recuará diante dos protestos, utilizando as execuções públicas e sentenças de morte como estratégia para intimidar a oposição.

Frasa

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