Autoridades da América do Sul e da Europa assinaram, no sábado, 17 de janeiro, no Paraguai, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, encerrando mais de 25 anos de negociações. Durante a cerimônia, líderes dos dois blocos defenderam o multilateralismo e o comércio livre baseado em regras como instrumentos centrais para o desenvolvimento econômico.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que o tratado reafirma o compromisso dos países com o comércio justo e o direito internacional. Segundo ele, o acordo chega em um momento oportuno, ao apostar na abertura, cooperação e intercâmbio, em contraposição a políticas de isolamento e uso do comércio como arma geopolítica.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que o pacto tem potencial para conectar continentes e criar a maior área de livre comércio do mundo, abrangendo um mercado de aproximadamente 700 milhões de pessoas. Para ela, a escolha foi pelo comércio justo e por parcerias de longo prazo, em vez de tarifas e isolamento.
Anfitrião do evento, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, classificou o momento como histórico, ressaltando o esforço diplomático necessário para superar impasses de mais de duas décadas. Ele também destacou a atuação do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e de Ursula von der Leyen para a conclusão do acordo.
O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que o tratado abre caminho para novas oportunidades comerciais e maior integração regional, alertando que a criação de cotas ou salvaguardas excessivas pode reduzir o impacto econômico do acordo. Já o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, definiu o pacto como uma associação estratégica, capaz de gerar oportunidades reais e fortalecer a cooperação em um cenário global marcado por tensões.
Representando o Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reforçou a posição do governo brasileiro de que o acordo demonstra a força do mundo democrático e do multilateralismo, com potencial para gerar empregos, investimentos, inovação tecnológica e crescimento econômico com inclusão social.
Após a assinatura, o texto do acordo será submetido à ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais dos países do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial dependerá dessa aprovação legislativa, com implementação gradual prevista para os próximos anos.








