Delegada detalha feminicídio seguido de suicídio em Nova Prata e faz alerta sobre violência silenciosa

Crime ocorreu na madrugada de sábado, 21 de fevereiro, em apartamento no Centro; vítima não tinha medida protetiva vigente

A delegada Liliane Pasterman Kramm detalhou, na manhã deste sábado, 21 de fevereiro, informações sobre o caso de feminicídio seguido de suicídio que abalou a comunidade de Nova Prata, na Serra Gaúcha. O crime ocorreu por volta das 3h30, em um apartamento localizado na Avenida Presidente Vargas, no Centro da cidade.

Segundo a autoridade policial, o autor, ex-marido da vítima, utilizou as chaves que ainda possuía para entrar no prédio e no imóvel, surpreendendo a mulher dentro de casa. O casal teve um relacionamento longo e possuía um filho em comum. Eles estavam separados havia cerca de seis meses.

Antes de ser morta, a vítima tentou pedir ajuda, enviando mensagens e realizando uma ligação para a mãe. O autor também chegou a ligar para a ex-sogra. Ao desconfiar da situação, a mãe foi até o apartamento e acionou a Brigada Militar.

Ao chegarem ao local, os policiais retiraram o filho do casal do imóvel antes de arrombarem a porta. Conforme a delegada, a criança não presenciou os fatos. No interior do apartamento, os agentes constataram os óbitos. De acordo com a investigação, foi utilizada uma faca no crime.

Histórico de violência e ausência de medida protetiva

A delegada Liliane destacou que havia histórico antigo de violência doméstica entre o casal, porém não existiam medidas protetivas vigentes nem registros policiais recentes.

“A gente vai percebendo que tem muita violência que vai ficando por debaixo do tapete, sendo apaziguada”, afirmou a delegada, ao comentar sobre a dificuldade de identificar situações que não chegam oficialmente ao conhecimento das autoridades.

Com a morte do autor, a responsabilização criminal fica inviabilizada. O inquérito policial será concluído com a comprovação da autoria, mas sem possibilidade de punição legal. A perícia e a necropsia já foram realizadas, e os corpos foram liberados.

Apelo às mulheres e à comunidade

Durante a manifestação, a delegada fez um alerta às mulheres que vivenciam situações de violência doméstica, reforçando a importância de buscar ajuda junto aos órgãos de segurança e projetos de apoio, como o Projeto Rosas, da Universidade de Caxias do Sul (UCS).

“Nós precisamos trabalhar muito para diminuir esses números”, destacou.

Ela ressaltou que a violência doméstica é extremamente nociva, deixando marcas profundas nos filhos e familiares, e muitas vezes é mantida por dependência econômica ou sentimento de culpa da vítima. A orientação é que mulheres em situação de risco procurem a rede de proteção para interromper o ciclo de violência.

O caso gerou forte comoção na comunidade e reacende o debate sobre a importância da denúncia e do acompanhamento de situações de violência doméstica.

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