Fictor entra em recuperação judicial após crise ligada à tentativa de compra do Banco Master

Grupo atribui dificuldades à repercussão negativa do caso, cita retiradas de até 71% dos aportes e queda de 50% nas ações de subsidiária na B3

A Fictor Holding Financeira entrou com pedido de recuperação judicial, atribuindo a crise financeira à repercussão negativa gerada após a tentativa de aquisição do Banco Master, em novembro de 2025. A operação foi suspensa depois que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição controlada por Daniel Vorcaro, em 18 de novembro.

No pedido apresentado à Justiça, a Fictor afirma que a exposição midiática relacionada ao caso provocou um descompasso temporário nos fluxos operacionais, além da rescisão de contratos por fornecedores. O consórcio de investidores globais liderado pelo grupo havia anunciado um aporte imediato de R$ 3 bilhões para reforçar o capital do Banco Master, mas a operação foi interrompida após a intervenção da autoridade monetária.

Segundo a empresa, os efeitos das notícias se intensificaram ao longo de dezembro, impactando diretamente o valor de mercado das companhias do grupo. A Fictor informou ao Judiciário que as ações da Fictor Alimentos S.A., subsidiária listada na B3, acumularam queda de cerca de 50% entre 17 de novembro e 1º de fevereiro.

No documento, o grupo relata que passou a ser alvo de reportagens e análises críticas, que questionaram a consistência da operação e o suposto papel da Fictor na crise envolvendo o Banco Master. Como consequência, parceiros, fornecedores, clientes e sócios adotaram uma postura mais cautelosa, resultando em um volume atípico de pedidos de retirada em contratos de Sociedade em Conta de Participação.

A Fictor afirma que recebeu R$ 3 bilhões em aportes até 17 de novembro, um dia antes da liquidação do banco. Após essa data, os pedidos de retirada teriam alcançado, até 31 de janeiro, cerca de 71,38% do valor inicialmente investido.

O grupo também relata um cenário de pânico entre os sócios participantes, agravado por notícias sobre o bloqueio de R$ 150 milhões em contas, o que levou ao ajuizamento de ações com pedidos de arresto cautelar. A empresa afirma ter conhecimento de diversos processos individuais, três deles somando mais de R$ 800 mil, com potencial de comprometer ativos essenciais à continuidade das atividades.

O Grupo Fictor atua nos setores de infraestrutura, alimentos e financeiro, possui um portfólio de mais de 30 empresas e mantém operações no Brasil, Estados Unidos e Europa.

*Com informações de CNN Brasil

Ebranet

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