A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, a Operação Punctum Finale, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa investigada por lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e homicídios na Zona Sul de Porto Alegre. Entre os bens adquiridos pelo grupo está uma franquia localizada em shopping de alto padrão da Capital.
A ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro (DRLD), do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), sob comando do delegado Rodrigo Pohlmann Garcia, com apoio da Brigada Militar e da Polícia Penal.
Ao todo, mais de 90 policiais civis e 30 policiais militares cumpriram 22 mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão em Porto Alegre e Gravataí. Até o momento, 19 pessoas foram presas, sendo dois investigados já recolhidos ao sistema prisional. Também foram apreendidos valores em dinheiro e um veículo.
Segundo a Polícia Civil, a operação representa a fase final de uma investigação que durou dois anos, voltada ao enfraquecimento financeiro de uma facção criminosa com atuação no tráfico de drogas e envolvimento em homicídios.
Esquema de lavagem de dinheiro
As investigações apontaram que o grupo praticava lavagem de dinheiro por meio da aquisição de bens móveis e imóveis, além de investimentos em empresa de recolhimento de sucatas e em franquia do setor alimentício instalada em shopping da Capital.
Mesmo após operações anteriores, os investigados teriam continuado a exercer a traficância e a ocultar valores obtidos de forma ilícita.
A primeira ofensiva contra o grupo foi a Operação Riciclaggio, que resultou na apreensão de seis automóveis — alguns de luxo —, dois fuzis, três pistolas e cerca de R$ 70 mil em espécie.
Na sequência, a Operação Renovatio, deflagrada em novembro de 2024, apreendeu aproximadamente R$ 34 mil em dinheiro, celulares, um drone, joias e três veículos. As apurações indicaram que, mesmo após as ações policiais, o grupo manteve as atividades criminosas.
Durante o curso das investigações, foi identificado que a área de atuação da facção foi palco de um homicídio ocorrido em sábado, 29 de março, cuja apuração ficou a cargo da 6ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (6ª DHPP). O modus operandi indicou possível relação com a organização.
Também foram detectadas movimentações financeiras suspeitas entre dezembro de 2021 e 2025 que ultrapassaram R$ 10 milhões. Um dos investigados teria adquirido mais de 20 telefones celulares em loja de shopping da Capital, posteriormente encaminhados a uma penitenciária para manter a comunicação de detentos com o meio externo. Em uma das fases da investigação, aparelhos foram apreendidos dentro de cela do sistema prisional.
Além disso, a Polícia Civil identificou transações consideradas atípicas entre os investigados e uma grande empresa do setor de reciclagem, com indícios de pagamento indireto por meio da aquisição de bens móveis. Outras pessoas jurídicas também são investigadas por supostamente contribuírem para dar aparência lícita aos recursos provenientes das atividades criminosas.
Conforme o diretor do DHPP, delegado Mario Souza, a operação integra a medida 5 do Protocolo das 7 Medidas de Enfrentamento aos Homicídios, que prevê o combate à lavagem de dinheiro como estratégia para enfraquecer organizações criminosas.
“A repressão ao crime de lavagem de dinheiro visa enfraquecer o poderio financeiro dos grupos criminosos, justamente para evitar que utilizem recursos ilícitos para financiar a prática de homicídios”, destacou o delegado.








