A oposição no Congresso Nacional avalia que está em curso uma suposta “operação abafa” para impedir a instalação da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Banco Master. Segundo parlamentares, a derrubada do veto presidencial ao PL da Dosimetria, que reduz penas de Jair Bolsonaro (PL) e de outros condenados por tentativa de golpe de Estado, poderia ser utilizada como moeda de negociação política para enterrar a comissão.
Um requerimento com 281 assinaturas, entre deputados e senadores, foi protocolado nesta terça-feira (3) no Congresso. O pedido é liderado pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ). Apesar disso, a instalação da CPMI depende do presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), que ainda não sinalizou quando convocará a primeira sessão do Congresso em 2026. Aliados afirmam que a sessão deve ocorrer apenas em março.
Entre congressistas, cresce a avaliação de que Alcolumbre pode adiar ao máximo a convocação da sessão em que seriam lidos o requerimento da CPMI e votado o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao PL da Dosimetria. Nesse cenário, parlamentares veem a possibilidade de um acordo político que permitiria a derrubada do veto, beneficiando Bolsonaro e outros condenados, em troca do engavetamento da CPMI do Banco Master.
Pelas regras do Congresso, a CPMI deve ser instalada ao alcançar um terço das assinaturas da Câmara e do Senado — ao menos 171 deputados e 27 senadores — desde que haja fato determinado e prazo definido. Na avaliação de especialistas e parlamentares, o presidente do Congresso pode postergar, mas não impedir indefinidamente a instalação da comissão. Precedentes recentes incluem a CPMI do INSS, em 2025, e a CPI da Covid, criada após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) em 2021.
Apesar disso, políticos de diferentes campos ideológicos avaliam que o STF não demonstraria o mesmo interesse em fazer valer a jurisprudência no caso do Banco Master. Jordy afirma ainda que governistas estariam fazendo “jogo de cena” ao assinarem pedidos alternativos de CPI para investigar as supostas fraudes financeiras na instituição.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou que respeitará a fila de requerimentos de CPI, atualmente com cerca de 15 pedidos, o que na prática dificulta a criação imediata de uma comissão. Governistas também indicaram que devem assinar um pedido de CPMI liderado pelas deputadas Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Heloísa Helena (Rede-RJ).
O Banco Master está no centro do debate político desde que a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, para apurar fraudes financeiras e a tentativa de venda da instituição ao BRB, banco controlado pelo governo do Distrito Federal. No mesmo dia, o Banco Central decretou a liquidação do banco, pertencente ao empresário Daniel Vorcaro, que chegou a ser preso e atualmente é monitorado por tornozeleira eletrônica. Vorcaro é apontado como alguém com fortes relações com autoridades dos Três Poderes.
* Com informações de CNN Brasil.







