A crise no setor agrícola levou sete municípios de Santa Catarina a decretarem situação de emergência na última semana, motivados pela drástica redução no valor de mercado da cebola. Além de Ituporanga, a capital nacional do produto, as cidades de Atalanta, Chapadão do Lageado, Imbuia, Alfredo Wagner, Leoberto Leal e Lebon Régis oficializaram a medida. O movimento ocorre após o preço pago ao produtor despencar para quase a metade em relação à safra anterior, atingindo níveis abaixo do custo de produção, que é estimado em R$ 1,33 por quilo.
Na safra de 2023/2024, o cenário era de estabilidade, mas atualmente os agricultores enfrentam dificuldades para cobrir gastos com mudas, defensivos e mão de obra. Especialistas indicam que o valor ideal para a sustentabilidade do setor seria de R$ 2,00 por quilo. Com a desvalorização, a estimativa de arrecadação global do setor caiu de R$ 250 milhões para cerca de R$ 100 milhões, gerando um impacto severo na economia local das regiões produtoras, especialmente no Alto Vale do Itajaí.
A situação de emergência, decretada nesta terça-feira, 17 de fevereiro, permite que as prefeituras auxiliem os produtores na renegociação de dívidas e na obtenção de crédito. O setor também monitora com cautela a entrada da produção argentina no mercado brasileiro a partir de março, o que pode aumentar a pressão competitiva. Santa Catarina é responsável por aproximadamente 40% da cebola consumida no Brasil, e a atual crise de rentabilidade ameaça a continuidade das atividades em propriedades de base familiar.








