O consumo de bebidas alcoólicas está diretamente associado ao aumento do risco de diferentes tipos de câncer, segundo especialistas e pesquisas internacionais. Apesar disso, a relação ainda surpreende parte da população quando divulgada em campanhas ou nas redes sociais.
De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, o álcool é responsável por cerca de 4% dos casos de câncer no mundo. A substância é classificada como carcinógeno do Grupo 1 — o nível mais alto de risco —, o que significa que há evidências científicas suficientes de que causa câncer em humanos.
Tipos de câncer associados
O consumo de álcool está relacionado ao aumento do risco de diversos tumores, incluindo:
- cavidade oral
- glândulas salivares
- faringe e laringe
- esôfago
- fígado
- cólon e reto
- mama
- estômago
Como o álcool afeta o organismo
Segundo especialistas do Instituto Nacional de Câncer, o etanol presente nas bebidas alcoólicas é transformado no organismo em acetaldeído, uma substância com alto potencial cancerígeno. Esse composto pode danificar o DNA das células e favorecer o desenvolvimento de tumores.
Além disso, o álcool:
- aumenta o estresse oxidativo
- provoca inflamações crônicas
- facilita a entrada de outras substâncias cancerígenas
A combinação com o tabaco agrava ainda mais os riscos, especialmente para cânceres de boca, garganta e laringe.
Existe quantidade segura?
As evidências científicas apontam que não existe nível seguro de consumo de álcool quando o assunto é câncer. Mesmo pequenas quantidades já podem aumentar o risco.
Estudos indicam que mais de 100 mil casos de câncer em 2020 foram associados ao consumo leve a moderado — equivalente a uma ou duas doses por dia.
Especialistas destacam ainda que o risco segue uma lógica de “dose-resposta”: quanto maior o consumo, maior a probabilidade de desenvolver a doença.
Impacto na saúde pública
O Instituto Nacional de Câncer alerta que o consumo de álcool é um problema relevante de saúde pública no Brasil. Dados apontam que duas pessoas morrem por hora no país por causas relacionadas à ingestão da substância.
Diante disso, especialistas defendem medidas como aumento de impostos sobre bebidas alcoólicas e campanhas de conscientização para reduzir o consumo.
Apesar de o álcool ser reconhecido como carcinogênico há décadas, pesquisadores ressaltam que a população ainda tem baixo nível de conhecimento sobre essa relação — o que reforça a necessidade de ampliar ações de prevenção e informação.
* Com informações de G1.








