Doação começou durante internação do filho na UTI Neonatal e hoje beneficia recém-nascidos prematuros e em tratamento intensivo
O que começou como uma necessidade após o nascimento do filho acabou se transformando em um gesto de solidariedade que entrou para a história do Hospital Tacchini, em Bento Gonçalves. Com 46 litros de leite materno doados, Diersica de Oliveira dos Santos tornou-se a maior doadora já registrada pelo Tacchini Banco de Leite entre mães com bebês internados na instituição, superando a marca anterior de 38,5 litros, estabelecida em 2022 por Franciele Di Domenico.
A trajetória de doação teve início logo nos primeiros dias após o nascimento de Yan Benjamin dos Santos Thums, em terça-feira, 28 de outubro. Diagnosticado ainda durante a gestação com onfalocele, o bebê precisou de cuidados intensivos após o parto, permanecendo internado por um período prolongado na UTI Neonatal.
Durante esse tempo, a produção de leite de Diersica foi estimulada desde o início, mesmo quando o filho ainda não podia se alimentar diretamente no seio. Nos primeiros dias, a quantidade era pequena, mas suficiente para iniciar o processo. “Eu achava que não ia conseguir amamentar”, relembra a mãe. Com o passar das semanas, no entanto, a realidade mudou de forma significativa.
Após a alta hospitalar da mãe, a produção aumentou consideravelmente. A rotina passou a incluir retiradas frequentes, tanto para aliviar o desconforto quanto para garantir o armazenamento adequado do leite excedente. Foi nesse momento que a doação ganhou força e passou a beneficiar outros recém-nascidos atendidos pela instituição.
Inicialmente, todo o leite coletado era destinado ao próprio Benjamin, contribuindo diretamente para sua recuperação durante a internação. Com a melhora do quadro clínico, o volume produzido começou a ultrapassar a necessidade individual e passou a ser armazenado para auxiliar outros bebês após a alta hospitalar.
Hoje, com o filho já em casa e saudável, Diersica mantém o compromisso com o Banco de Leite. Os 46 litros doados até o momento têm capacidade para alimentar os bebês da UTI Neonatal e da UTI Pediátrica do Hospital Tacchini por até 20 dias, demonstrando o impacto direto da iniciativa.
Além do volume expressivo, o gesto chama atenção pelo alcance coletivo. O leite doado passa por um rigoroso processo de pasteurização e é destinado principalmente a recém-nascidos prematuros ou com condições clínicas que dificultam a amamentação direta, contribuindo para a recuperação e o desenvolvimento desses pacientes.
Para Diersica, a experiência foi transformadora. Ao longo do período em que frequentou a UTI Neonatal, o contato com outras mães reforçou ainda mais o desejo de ajudar. “A gente convive com histórias muito diferentes. Nem todas conseguem produzir leite, e poder contribuir de alguma forma faz muita diferença”, afirma.
Ela também destaca o apoio recebido da equipe do Banco de Leite como fundamental para manter a produção. “No começo é difícil, dá insegurança, mas com orientação e paciência tudo vai acontecendo. Depois que engrena, muda completamente.”
A história de Diersica não apenas estabelece um novo recorde, mas também reforça a importância da doação de leite materno como um ato capaz de salvar vidas. Segundo a nutricionista responsável pelo Tacchini Banco de Leite, Graziela Zortéa, o leite humano é essencial no tratamento neonatal. “No contexto da UTI neonatal, o leite humano é considerado um verdadeiro tratamento. Ele reduz infecções, melhora a recuperação e aumenta significativamente as chances de sobrevivência dos recém-nascidos, especialmente os prematuros. Essa doação vai muito além da nutrição. É um ato de empatia e de solidariedade entre mães. Cada gota de leite doado pode fazer a diferença na vida de um recém-nascido.”
Fonte: Hospital Tacchini Bento Gonçalves








