O aumento no preço do óleo diesel, impulsionado pela instabilidade no Oriente Médio, deve elevar os preços nos supermercados de forma mais intensa nas próximas semanas. Segundo o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Lindonor Peruzzo Júnior, os custos de frete já subiram pelo menos 10%, impactando setores de reposição constante como hortifrúti e carnes. Embora o varejo tente adiar o repasse para evitar a queda no consumo, a entidade afirma que o setor chegou a um limite onde a manutenção das margens operacionais exigirá o ajuste nas prateleiras.
O impacto mais severo tem sido registrado em produtos derivados de petróleo, como as sacolas plásticas, que apresentaram reajustes de até 60%. Outro fator de preocupação são as embalagens industriais; muitas empresas ainda utilizam estoques antigos, mas o preço novo deve chegar ao consumidor assim que esses materiais forem renovados. Em Santa Maria, por exemplo, o litro do diesel subiu em média R$ 0,91 desde o início do conflito internacional, consolidando uma pressão inflacionária generalizada em praticamente todos os fornecedores.
Apesar do cenário de crise no abastecimento e custos elevados, a Agas mantém o otimismo para o segundo semestre de 2026. A expectativa de crescimento baseia-se em eventos como a Copa do Mundo, o ano eleitoral e medidas de estímulo econômico do governo federal. Até lá, a orientação dos supermercadistas é de cautela, tentando equilibrar a necessidade de repasse com o baixo poder de compra das famílias, embora o presidente da associação reforce que “chegará um momento em que não haverá como segurar mais”.








