Exemplo de resiliência: Museu do Carvão restaura acervo de fotografias danificadas pela enchente

Museu Estadual do Carvão recupera, conserva e digitaliza cerca de 1.400 fotografias com investimento de R$ 273 mil do Funrigs

Em maio de 2024, o Museu Estadual do Carvão foi atingido pela enchente. Localizado em Arroio dos Ratos, o museu, vinculado à Secretaria da Cultura, é símbolo da região Carbonífera, guardando memórias da mineração e de seus trabalhadores. Milhares de documentos e fotografias ficaram submersos, o que exigiu um esforço coletivo para resgatar o acervo.

Ao longo de dois anos, o acervo com cerca de 1.400 fotografias passou por restauração, conservação e digitalização pela empresa Âmbar Cultural, com investimento de R$ 273 mil provenientes do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Em sexta-feira, 29 de maio, especialistas apresentaram o resultado à Sedac em Porto Alegre.

O secretário da Cultura, André Kryszczun, elogiou o trabalho, destacando a importância da cooperação entre setores da sociedade para enfrentar desafios provocados pelas mudanças climáticas.

A recuperação exigiu uma análise item a item para identificar danos. As imagens, sujeitas a lama e contaminação, foram encaminhadas ao IPEN para desinfecção por radiação ionizante, depois retornando a um ateliê no Rio de Janeiro para lavagem, reparos e planificação de dobras e rasgos.

Diversos itens do século XIX e início do XX, com albumina ou prata, exigiram tratamento cuidadoso. Em alguns casos, as embalagens originais permaneceram grudadas, mantendo o conteúdo sob imersão controlada para preservar cores e detalhes.

Maria Julia Fróes, uma das especialistas, enfatizou a importância de defender bens culturais diante de desastres e mudanças climáticas. Marcia Mello destacou que a restauração oferece aprendizado para futuros desafios, ressaltando o valor de tornar o acervo acessível para as gerações futuras por meio da plataforma Acervos da Cultura.

Após a higienização, as fotografias foram acondicionadas de forma a impedir reações químicas e digitalizadas em alta resolução. Algumas imagens foram scaneadas ainda molhadas para preservar nuances de cor e detalhes da embalagem que acompanha cada foto. O resultado será disponibilizado online em breve.

A atuação demonstra resiliência climática, com especialistas afirmando que preservar memórias históricas é essencial em tempos de eventos climáticos extremos.

Texto: Ascom Sedac
Edição: Secom

Fonte: Portal do RS – Sedac

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