O julgamento dos três policiais militares acusados de envolvimento na morte de Gabriel Marques Cavalheiro, de 18 anos, começou nesta segunda-feira, 29 de junho, no Fórum de São Gabriel, na Fronteira Oeste. O caso envolve o sargento Arleu Júnior Cardoso Jacobsen e os soldados Cléber Renato de Lima e Raul Veras Pedroso, réus no processo após o jovem desaparecer depois de uma abordagem da Brigada Militar, em agosto de 2022.
Durante o primeiro dia do júri, os pais de Gabriel prestaram depoimento e relembraram a trajetória do filho. A mãe, Rosane Machado Marques, afirmou que ainda preserva o quarto do jovem com objetos pessoais e medalhas, além de relatar o impacto emocional causado pela perda. Ela também contestou a versão de que Gabriel teria apenas recebido uma carona dos policiais. O pai, Anderson da Silva Cavalheiro, descreveu o filho como respeitoso e disse que a família só tomou conhecimento da versão apresentada pelos agentes dias após o desaparecimento.
A investigação foi detalhada pelo delegado José Soares Bastos, responsável pelo inquérito. Segundo ele, após a localização do corpo, a Polícia Civil passou a tratar o caso como homicídio, reunindo elementos que, na avaliação da investigação, apontam para a responsabilidade dos acusados. O delegado afirmou que os relatos de testemunhas eram compatíveis com os ferimentos identificados pela perícia e destacou que informações sobre a suposta carona só teriam sido ampliadas depois da análise de imagens e registros de GPS da viatura. O júri será retomado nesta terça-feira, 30 de junho, com a previsão de novos depoimentos antes da continuidade dos debates entre acusação e defesa.
