Dois mecânicos condenados pela morte de quatro jovens intoxicados por monóxido de carbono dentro de uma BMW, em Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, recorreram da sentença que os condenou por quatro homicídios culposos.
A decisão de primeiro grau foi proferida em março deste ano pela Vara Criminal da Comarca de Balneário Camboriú, que fixou pena de 1 ano, 4 meses e 20 dias de detenção para cada réu. O recurso será analisado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).
Os condenados foram apontados pela investigação como responsáveis pela modificação realizada no sistema de escapamento da BMW envolvida no caso.
Segundo a Justiça, falhas na instalação de uma peça artesanal teriam permitido o vazamento de monóxido de carbono para o interior do veículo, provocando a morte dos ocupantes.
A tragédia ocorreu na manhã de segunda-feira, 1º de janeiro, e teve repercussão nacional. As vítimas foram Gustavo Pereira Silveira Elias, de 24 anos, Karla Aparecida dos Santos, de 19 anos, Tiago de Lima Ribeiro, de 21 anos, e Nicolas Kovaleski, de 16 anos, todos naturais de Paracatu, em Minas Gerais.
Os quatro jovens foram encontrados mortos dentro da BMW, estacionada na rodoviária de Balneário Camboriú. Eles haviam saído de Minas Gerais com planos de recomeçar a vida em Santa Catarina e pretendiam abrir uma empresa em São José, na Grande Florianópolis.
De acordo com a investigação, cerca de seis meses antes do ocorrido, o veículo passou por modificações para aumento de potência e alteração no sistema de escapamento. O serviço, realizado em Goiânia, custou aproximadamente R$ 25 mil.
Laudos periciais apontaram que o catalisador original foi substituído por uma peça artesanal conhecida como downpipe. A perícia identificou falhas estruturais na soldagem e na fixação do equipamento, incluindo a ausência de uma presilha de segurança, o que teria permitido o rompimento da peça e o vazamento dos gases tóxicos.
Na sentença, o juiz entendeu que houve imprudência, negligência e imperícia na execução e no encaminhamento da modificação mecânica, sem os cuidados técnicos necessários.
As defesas dos réus pediram absolvição ao longo do processo. Apesar da condenação, ambos receberam o direito de recorrer em liberdade. Após a apresentação dos recursos de apelação, a Justiça determinou a abertura de prazo para as razões recursais e contrarrazões antes do envio do processo ao TJSC.








