Mexilhões podem acumular microplásticos e transmiti-los a humanos: estudo da Unirio revela ausência de seletividade na alimentação dos moluscos

Mexilhões filtram água sem distinguir microalgas de microplásticos; estudo publicado na Ocean and Coastal Research aponta riscos à saúde humana e sugere ações para reduzir poluição

Um estudo da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) sugere que os mexilhões podem ser uma porta de entrada de microplástico no corpo humano. A pesquisa, publicada nesta segunda-feira, 15 de junho, na revista Ocean and Coastal Research, indica que esses moluscos filtram água e não conseguem diferenciar microalgas de microplásticos, o que pode levar à ingestão de partículas poluidoras.

Para a análise, pesquisadores coletaram mexilhões- marrom (Perna perna) na Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, e criaram três grupos em laboratórios para testar diferentes dietas: apenas microalgas, apenas microplásticos e uma mistura de microalgas com microplásticos. Ao final de uma hora, os cientistas observaram que os animais consumiram os três tipos de material de forma indiscriminada. A bióloga marinha Raquel de Almeida Ferrando Neves, coautora do estudo, explicou que não há percepção por parte dos mexilhões para distinguir partículas naturais de plástico.

Na amostra com a mistura, restaram aproximadamente 48% das microalgas e 52% das esferas de plástico, o que evidencia a ausência de seletividade na alimentação. Os microplásticos, por serem fragmentos que se formam com o tempo, podem carregar contaminantes químicos, representando risco à saúde humana quando ingeridos.

A pesquisa destaca que, embora os testes tenham ocorrido em uma localização específica do litoral do Rio de Janeiro, o comportamento observado pode ocorrer em outras regiões onde o mexilhão é comum na dieta humana.

O estudo ressalta a necessidade de ações para reduzir a poluição plástica desde a origem, incluindo políticas públicas para frear o despejo de resíduos no mar e restringir o uso de plásticos descartáveis. Além disso, os autores defendem o monitoramento contínuo das áreas de maricultura como medida estratégica para assegurar a segurança do consumo de frutos do mar no futuro.

Fontes: Unirio, Ocean and Coastal Research, parceria com a Agência Bori. A Organização Mundial da Saúde também aponta para a importância de mais pesquisas sobre os efeitos do microplástico na saúde humana.

Fonte: Agência Brasil

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