O início do Concurso Regional de Prendas da 2ª Região Tradicionalista, marcado para o próximo fim de semana em General Câmara, traz um fato inédito para o tradicionalismo gaúcho.
A técnica de enfermagem Bruno Pradella Machado, de 25 anos, integrante do CTG Quero-Quero, de São Jerônimo, participará da disputa regional e poderá avançar até a seleção da 1ª Prenda do Rio Grande do Sul.
O caso tem gerado debates dentro e fora do meio tradicionalista sobre a participação de mulheres trans nos concursos promovidos pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG).
Em entrevista à Rádio Uirapuru, o presidente do MTG, Alessandro Gradaschi, afirmou que a entidade não possui em seus regulamentos qualquer dispositivo que diferencie candidatas cisgênero e transgênero nos concursos de prendas e peões.
Segundo ele, a participação foi aceita pela entidade de origem, pelo CTG Quero-Quero, pela coordenação regional e também pelo movimento estadual. Gradaschi ressaltou que a candidata possui documentação civil com identificação no sexo feminino e que o MTG segue os princípios constitucionais e a legislação vigente, sem impor restrições à participação.
Durante a entrevista, o presidente do MTG destacou que os concursos de prendas não são disputas de beleza, mas avaliações de conhecimento tradicionalista. As provas envolvem apresentações artísticas, avaliações escritas e orais, mostras folclóricas, vivências tradicionalistas e atividades ligadas à cultura gaúcha.
Conforme Gradaschi, a candidata participará em igualdade de condições com as demais concorrentes, e o resultado dependerá exclusivamente do desempenho nas etapas previstas pelo regulamento.
O presidente também afirmou que o movimento acompanha as transformações da sociedade e que o tradicionalismo não pode se afastar da realidade vivida pelas comunidades. Ele lembrou que costumes e regras internas passaram por mudanças ao longo dos anos e avaliou que o respeito deve ser o princípio norteador do debate.
Segundo Gradaschi, embora o tema desperte opiniões divergentes, a orientação da entidade é cumprir a legislação e garantir a participação da candidata.
Fonte: Observador Regional, Rádio Uirapuru e Suélen Kommers.








