Operação Boi Fantasma: MPRS identifica cerca de mil “bovinos de papel” usados em esquema de lavagem de dinheiro na Fronteira Oeste

Investigação aponta movimentação superior a R$ 100 milhões com uso de guias fictícias e propriedades rurais arrendadas para ocultar recursos do tráfico de drogas

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do 9º Núcleo Regional — Campanha — do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), contabilizou até o momento cerca de mil “bovinos de papel” movimentados em pouco mais de dois anos como parte de um esquema de lavagem de dinheiro na Fronteira Oeste do Estado.

Os investigados foram alvo da Operação Boi Fantasma, deflagrada na última terça-feira, terça-feira, 9 de junho. Conforme as apurações, houve movimentação fictícia de animais nas fichas de produtor rural, sem o efetivo deslocamento do gado entre duas propriedades arrendadas pelos criminosos em Alegrete.

A investigação aponta uma movimentação superior a R$ 100 milhões em atividades ilícitas, incluindo lavagem de capitais ligada a casas de apostas. O levantamento foi realizado com base em dados da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI/RS).

Foram identificadas inconsistências em registros de entrada de 2.535 animais e saída de 2.657 cabeças de gado, utilizando Guias de Trânsito Animal (GTAs) fictícias para ocultar valores ilícitos. Segundo o MPRS, pelo menos mil bovinos foram transferidos apenas no papel, sem sair das propriedades rurais, para dar aparência de legalidade aos recursos movimentados.

As vistorias também encontraram divergências envolvendo bovinos e ovinos declarados, mas não localizados nas propriedades fiscalizadas.

De acordo com o coordenador estadual do GAECO, promotor de Justiça Rogério Meirelles Caldas, a investigação segue em andamento para mensurar o total da fraude e identificar toda a estrutura da organização criminosa, formada por pelo menos nove núcleos.

“O GAECO avança na análise dos dados e provas apreendidas na operação, além da reconstituição contábil das transações, até o oferecimento da denúncia à Justiça”, afirmou Rogério Caldas.

Segundo o Ministério Público, o esquema criminoso operava desde 2023 e utilizava a pecuária como mecanismo para ocultar recursos oriundos do tráfico de drogas. A apuração também será ampliada para identificar outros produtores rurais que possam ter utilizado o mesmo método.

A Operação Boi Fantasma cumpriu mandados em Alegrete, Quaraí, Pelotas, Capão do Leão, Itaqui, Canoas e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, além de Palhoça e Joinville, em Santa Catarina. Também houve ações em presídios de São Gabriel, Uruguaiana e Cachoeira do Sul.

Ao todo, foram realizadas nove prisões, sendo oito preventivas e uma em flagrante. Durante a operação, os agentes apreenderam 46 celulares, oito notebooks, R$ 36,9 mil em dinheiro, duas armas, dois veículos e drogas, materiais que seguirão sob análise no decorrer das investigações.

Fonte: Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS)

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