A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta terça-feira, 16 de junho, a Operação Paper Trail, com o objetivo de combater uma associação criminosa suspeita de aplicar o golpe do falso boleto contra clientes de instituições financeiras em todo o país.
A ação foi conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DPRCPE/Dercc) e contou com apoio da Polícia Civil de São Paulo. Ao todo, foram cumpridas 20 medidas cautelares no estado paulista. Até o momento, quatro pessoas foram presas e celulares foram apreendidos.
Segundo o delegado João Vitor Herédia, os investigados são suspeitos de envolvimento em um esquema estruturado de estelionato mediante fraude eletrônica, falsificação de documento particular, falsa identidade e associação criminosa.
A investigação apontou que o grupo atuava com divisão de funções e aplicava golpes contra clientes de diferentes instituições financeiras. Há vítimas identificadas em pelo menos três estados do país.
O inquérito teve início a partir de um boletim de ocorrência que relatava o pagamento de R$ 52.239,27 em dois boletos falsos enviados por uma mulher que se passou por atendente de uma financeira pelo WhatsApp. Os documentos tinham aparência idêntica aos boletos originais da instituição, inclusive com o CNPJ da empresa como suposto beneficiário final, mas direcionavam os valores para uma conta bancária controlada pelo grupo criminoso.
De acordo com a Polícia Civil, o esquema funcionava em etapas. Primeiro, os investigados monitoravam uma plataforma de reclamações em busca de clientes que relatavam dificuldades para obter boletos de quitação antecipada de empréstimos. Depois, entravam em contato com as vítimas pelo WhatsApp, usando números registrados em nome de terceiros e se passando pelo suporte oficial da instituição financeira.
Na sequência, boletos originais eram alterados para substituir os dados do beneficiário pelos da instituição financeira alvo. Após o pagamento, os valores eram creditados na conta de um dos integrantes do grupo, responsável pelo recebimento do dinheiro.
A Polícia Civil identificou quatro investigados, todos naturais de São Paulo. Entre eles, estão um homem de 35 anos, apontado como operador central do esquema; uma mulher de 28 anos, apontada como coautora estrutural; uma mulher de 33 anos, identificada como elo financeiro; e um homem de 30 anos, indicado como responsável pela articulação operacional entre os núcleos do grupo.
Conforme a investigação, o operador central teria acesso privilegiado ao sistema interno de uma das financeiras alvo, obtido por meio de contrato de correspondente bancário com uma empresa de intermediação financeira. A partir desse acesso, o grupo conseguiria identificar clientes com empréstimos ativos e interesse em quitação antecipada.
A apuração teve como base a trilha financeira dos boletos pagos pela vítima, que levou à identificação da conta receptora. Com autorização judicial, foram realizadas quebras de sigilo telefônico, telemático e informático, permitindo mapear a participação dos investigados.
Ainda segundo a Polícia Civil, uma conta de e-mail operacional do esquema, criada no dia do crime, continha boletos fraudulentos enviados a pelo menos três vítimas identificadas. A corporação afirma que o número total de vítimas pode ser maior do que o apurado até agora.
A investigação segue para o completo esclarecimento dos fatos.
Fonte: Polícia Civil do Rio Grande do Sul







