Remédios falsos contra câncer levam empresário à prisão no RS

Operação Placebo mira grupo suspeito de fraudar ações judiciais, usar empresas de fachada e atingir pacientes em tratamento oncológico

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou nesta segunda-feira (29) a Operação Placebo, com 57 mandados de busca e um de prisão, para apurar um esquema suspeito de fornecer medicamentos falsos ou irregulares a pacientes com câncer na Fronteira Oeste. O empresário Lisandro Henriques Hermes, de São Gabriel, foi preso e apontado pela investigação como o principal articulador do grupo, que teria movimentado empresas usadas em concorrências ligadas a processos judiciais pagos com recursos públicos.

A apuração começou depois que uma farmacêutica da Santa Casa de São Gabriel identificou indícios de falsificação em frascos do medicamento Enhertu, destinado ao tratamento de uma paciente com câncer de mama avançado. Segundo a polícia, havia sinais como erros de grafia na embalagem, entrega parcial de remédios, suspeita de uso de empresas de fachada e participação de pessoas interpostas para ocultar o controle dos negócios. Até agora, foram identificadas 39 vítimas, com registros de mortes entre pacientes durante o tratamento.

Além do núcleo empresarial, a investigação também mira a possível atuação de um oncologista e advogados, que teriam papel na captação de pacientes e no encaminhamento de ações judiciais. A Justiça proibiu cautelarmente o exercício profissional de investigados ligados ao núcleo médico e jurídico. A Anvisa já havia determinado a apreensão e proibido a comercialização de lote suspeito do Enhertu, após comunicação da fabricante sobre frascos com características diferentes das do produto original.

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