Tarifa dos EUA coloca pecuária brasileira no centro de disputa comercial

Relatório americano aponta supostas falhas no combate ao trabalho forçado e pode gerar nova cobrança sobre produtos do Brasil

O governo dos Estados Unidos colocou o Brasil entre os países que, na visão das autoridades americanas, ainda apresentam falhas na prevenção da entrada de produtos ligados ao trabalho forçado. A partir dessa avaliação, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA propôs a aplicação de uma tarifa extra de 12,5% sobre mercadorias brasileiras, medida que ainda depende de análise e consulta pública.

Entre os setores citados no relatório está a pecuária bovina brasileira. O documento menciona a chamada “Lista Suja” do Ministério do Trabalho, cadastro que reúne empregadores envolvidos com trabalho análogo à escravidão. Segundo os americanos, investigações independentes identificaram produtores rurais ligados à atividade pecuária dentro dessa relação, o que reforçaria as preocupações apresentadas pelos EUA.

A proposta faz parte de um cenário de crescente tensão comercial entre os dois países. Recentemente, outra investigação americana já havia sugerido tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros, envolvendo temas como comércio digital, etanol, propriedade intelectual e questões ambientais. O assunto também gerou embate político no Brasil, com troca de críticas entre o presidente Lula e integrantes da família Bolsonaro, enquanto parlamentares defendem negociações para evitar impactos nas exportações nacionais.

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