Fabricantes brasileiros de papéis para fins sanitários — que incluem papel higiênico, papel toalha, guardanapos e lenços — alertam para alta de custos de dois dígitos nos insumos necessários para a produção desses itens.

A indústria também se queixa da resistência das grandes redes de supermercados em aceitarem reajustes de preços dos produtos, de forma a compensar a alta de custos do setor.

A associação que representa os fabricantes descarta desabastecimento para os consumidores finais, mas teme que o desequilíbrio financeiro gerado por esse descasamento entre custos aos produtores e preços aos compradores resulte em falência e aquisições de pequenas empresas, levando a uma maior concentração do setor, o que seria prejudicial ao mercado como um todo.

Celulose subiu 

Segundo a Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), os principais insumos utilizados na produção do papel higiênico e outros papéis sanitários tiveram forte alta de preços este ano: celulose, aparas de papel brancas e marrons, embalagens plásticas e de papelão, energia elétrica e GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), utilizado na secagem do papel.

Supermercados não aceitam reajustes, diz entidade

Conforme o executivo, o problema para a indústria é que ela não tem conseguido repassar ao varejo todas essas altas de custos.

No IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial da inflação no país, o papel toalha acumula deflação de 7,32% até novembro, enquanto o papel higiênico tem alta de preço de 3,24% em 11 meses.

A Abihpec estima que as aparas de papel acumulam alta entre 26% e 31% entre janeiro e novembro. Já o GLP teve aumento de 3,5% somente em outubro, enquanto materiais de embalagens, como as caixas de papelão, registrando alta de cerca de 10%; filme plástico liso, alta de 11,5%; filme impresso, alta de 9%; e a maculatura, alta de 7,5%.

Problema deve começar a passar a partir de março

Apesar do desarranjo no mercado, a Abihpec avalia que a pressão sobre custos deve começar a se dissipar em 2021.

“Acreditamos na possiblidade de que, lá para março, haja uma reversão desses preços, quando o mercado se normalizar. Isso é uma expectativa”, diz Basilio.

(Fonte: G1 e BBC)