Brasil tem 213 barragens em condição crítica, aponta relatório da ANA
Levantamento revela falhas de segurança, falta de dados sobre milhares de estruturas e redução no número de fiscais especializados
O Relatório de Segurança de Barragens 2026 identificou 213 estruturas consideradas prioritárias por apresentarem problemas de conservação ou descumprimento de exigências legais. Elas estão distribuídas por 19 estados e pelo Distrito Federal, com maior concentração no Ceará, em Mato Grosso e em São Paulo. A mineração reúne a maior parcela dos casos, com 55 barragens, seguida pelo abastecimento de água, com 51, e pela irrigação, com 29.
O documento também mostra que o país ainda enfrenta uma grande lacuna de informações. Das 29.761 barragens cadastradas no sistema nacional em 2025, 14.355 permaneciam com situação indefinida, o equivalente a 48% do total. Entre as estruturas já classificadas, 6.609 apresentam dano potencial médio ou alto ou estão enquadradas em categoria de risco elevado. No mesmo ano, foram registrados 18 acidentes e 23 incidentes, sem mortes, mas com evacuações e danos a estradas e pontes.
Apesar do aumento das fiscalizações presenciais e documentais, a capacidade dos órgãos responsáveis diminuiu. As 33 instituições fiscalizadoras contavam com 333 profissionais, 23 a menos do que no ano anterior, e 28 delas precisariam de pelo menos mais 221 servidores exclusivos para atingir o quadro mínimo recomendado. Elaborado anualmente pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, o relatório é encaminhado ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos e ao Congresso Nacional.
