Documentário registra histórias de escolas que acolheram famílias durante as enchentes no RS
Produção de pesquisadores da UCS reúne relatos de educadores, voluntários e desabrigados sobre o papel das escolas como espaços de acolhimento durante a tragédia climática de 2024
As histórias de escolas que se transformaram em abrigos durante as enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul agora fazem parte de um documentário produzido por pesquisadores da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Lançado nesta terça-feira (14), o filme Memórias que a água não levou: escolas-abrigo nas enchentes do RS (2024) reúne relatos de educadores, estudantes, voluntários e famílias que encontraram nas instituições de ensino um espaço de acolhimento em meio ao maior desastre climático da história do Estado.
A produção mostra como escolas das regiões Metropolitana, Vale do Sinos e Serra Gaúcha deixaram temporariamente a função exclusivamente educacional para se tornarem locais de moradia, convivência e reconstrução da vida de centenas de pessoas atingidas pelas enchentes.
Memória e reconstrução
O documentário integra o projeto Histórias da Escola: Modos de recompor identidades em contextos de desastres climáticos, coordenado pelo professor do Programa de Pós-Graduação em Educação da UCS, José Edimar de Souza, com participação da pesquisadora Elisângela Cândido da Silva Dewes, responsável pelo roteiro e edição da produção.
Ao longo de dois anos, os pesquisadores realizaram entrevistas e reuniram documentos sobre a experiência de famílias que permaneceram, em média, quatro meses em escolas transformadas em abrigos temporários.
Segundo José Edimar, o material revela uma dimensão pouco registrada da tragédia.
— Foi a oportunidade que se apresentou naquele período para as pessoas reorganizarem suas vidas, recuperarem a autoestima e resgatarem a capacidade resiliente de sobrevivência em meio ao caos — afirma.
Escolas além da sala de aula
Os depoimentos mostram como as comunidades escolares organizaram redes de solidariedade e apoio durante o período mais crítico das enchentes. Além de oferecer abrigo, alimentação e segurança, as instituições se tornaram espaços de pertencimento para famílias que perderam suas casas.
— A produção contribuiu para fortalecer a memória coletiva e ampliar o debate sobre o papel das instituições de ensino diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas — destaca José Edimar.
As entrevistas foram realizadas em municípios como Canoas, Porto Alegre, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Estância Velha e São Valentim do Sul, reunindo relatos de professores, estudantes, voluntários e pessoas acolhidas nas escolas-abrigo.
Pesquisa terá livro publicado
O documentário faz parte de um projeto financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS), com apoio da Universidade de Caxias do Sul, dos Programas de Pós-Graduação em Educação e História, do Grupo de Pesquisa História da Educação, Imigração e Memória (GRUPHEIM) e da Metamorfose Filmes.
A equipe de pesquisadores também prepara um livro sobre os impactos das enchentes e o papel das escolas durante a tragédia, com publicação prevista até o fim de 2026.
