Ministério Público denuncia executiva do Grêmio por injúria racial após Gre-Nal do Brasileirão Feminino
Denúncia foi apresentada à Justiça na última semana; Grêmio havia negado as acusações e afirmado que colaboradora prestou esclarecimentos à Polícia Civil
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) denunciou à Justiça uma executiva de futebol do Grêmio pelo crime de injúria racial supostamente praticado após o Gre-Nal válido pelo Campeonato Brasileiro Feminino, disputado em 28 de março, em Porto Alegre.
A denúncia foi apresentada no último dia 10 de julho e tem como base a investigação sobre um episódio ocorrido ao final da partida, no Sesc Protásio Alves.
Segundo o Ministério Público, a investigada teria dirigido ofensas de cunho racial a um integrante de uma torcida organizada do Internacional. Durante a apuração, foram ouvidas 11 pessoas, entre elas a vítima, a investigada e testemunhas. Conforme o MPRS, três testemunhas confirmaram ter presenciado as ofensas.
O crime de injúria racial está previsto na Lei nº 7.716/1989 e consiste na ofensa à dignidade de uma pessoa em razão de raça, cor, etnia ou origem. A pena prevista é de dois a cinco anos de prisão, além de multa.
Grêmio negou acusação após o clássico
No dia seguinte ao Gre-Nal, o Grêmio divulgou nota oficial afirmando que a acusação era “inverídica” e negando que a colaboradora tivesse praticado injúria racial. Segundo o clube, a funcionária compareceu voluntariamente à delegacia para prestar esclarecimentos e apresentou testemunhas que, de acordo com a nota, confirmariam que não houve manifestação de cunho racial. Na ocasião, o Grêmio também reiterou seu posicionamento institucional contra qualquer forma de discriminação.
— O Grêmio, enquanto Clube de Todos e comprometido com seu papel social, reconhece a importância do combate ao racismo e reafirma sua posição contrária a qualquer tipo de discriminação — afirmou o clube em nota divulgada em 29 de março.
Com o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público, caberá agora ao Poder Judiciário decidir se recebe a acusação e dá início à ação penal contra a investigada.
