Dois novos casos de remissão do HIV após transplantes de células-tronco foram apresentados nesta segunda-feira (27) durante a Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro. Os pacientes estão há aproximadamente um ano sem utilizar medicamentos antirretrovirais e, segundo os relatos apresentados, permanecem sem sinais detectáveis do vírus. Apesar do resultado promissor, pesquisadores ressaltam que o período de acompanhamento ainda é curto para confirmar uma cura permanente.

Um dos casos envolve um jovem de 21 anos, dos Estados Unidos, diagnosticado em 2018 simultaneamente com HIV e uma forma agressiva de leucemia. O transplante foi realizado para tratar o câncer, e determinadas características genéticas das células do doador podem ter contribuído para dificultar a infecção pelo HIV. Esse tipo de procedimento é complexo, oferece riscos importantes e não é indicado como tratamento rotineiro contra o vírus, sendo utilizado principalmente em pacientes com doenças hematológicas graves.

Os novos relatos ampliam o conhecimento científico sobre possíveis caminhos para controlar o HIV, mas não alteram o tratamento atualmente recomendado, baseado no uso contínuo de antirretrovirais. Esses medicamentos conseguem reduzir a carga viral a níveis indetectáveis e, quando isso é mantido, impedem a transmissão sexual do vírus, princípio conhecido como I=I — indetectável é igual a intransmissível. A interrupção da medicação deve ocorrer somente em situações de pesquisa ou sob acompanhamento médico especializado, enquanto os dois pacientes continuarão sendo monitorados para verificar se a remissão será mantida no longo prazo.