Picanha volta a subir e pode reacender debate econômico nas eleições de 2026
Oferta menor de gado sustenta preços elevados, enquanto fatores do mercado externo podem trazer apenas um alívio temporário ao consumidor
O preço da picanha chegou a R$ 85,10 por quilo em junho, já descontada a inflação, segundo levantamento da Safras & Mercado. O valor representa alta real de 21% em relação ao mesmo mês de 2025 e está próximo do recorde da série, de R$ 85,59, registrado em janeiro deste ano. Com a carne bovina novamente mais cara, o corte que ganhou destaque no debate eleitoral de 2022 pode retornar ao centro das discussões econômicas em 2026.
A atual valorização está relacionada principalmente à mudança no ciclo da pecuária. Entre 2023 e 2024, o aumento do abate de fêmeas ampliou a oferta e contribuiu para reduzir os preços, favorecendo o consumo. Esse movimento, porém, também diminuiu o rebanho disponível, e a fase atual é de oferta mais limitada. Depois de alcançar 38 quilos por habitante em 2024, o consumo nacional de carne bovina caiu para 31,9 quilos por pessoa em 2025, uma redução de 9%.
O mercado pode ter algum recuo pontual com a desaceleração das exportações para a China e a entrada de animais provenientes dos confinamentos. Em São Paulo, por exemplo, a picanha caiu 0,55% em junho, conforme dados da associação estadual de supermercados. Ainda assim, analistas avaliam que a escassez de gado e a redução do rebanho devem manter os preços pressionados, transformando a carne bovina em um possível tema de disputa no cenário eleitoral.
