Réu confessa morte de caminhoneiro e indica área onde os restos foram ocultados
Júri em Bom Jesus avança após depoimento de acusado, enquanto fragmento de osso encontrado em propriedade rural será analisado pela perícia
O primeiro dia do júri dos quatro acusados pela morte do caminhoneiro Luciano Boeira Melos, de 27 anos, foi marcado pela confissão de um dos réus. O julgamento começou na manhã de terça-feira, 28 de julho, no Foro da Comarca de Bom Jesus, nos Campos de Cima da Serra.
Durante o interrogatório, o acusado admitiu ser o responsável pela morte de Luciano. Segundo o depoimento, ele teria descoberto, no dia anterior ao crime, um relacionamento extraconjugal entre a esposa e a vítima.
A versão apresentada pelo réu coincidiu com os depoimentos da mulher e do irmão dele, que também respondem ao processo e atribuíram a ele a responsabilidade pelo homicídio. O quarto acusado, pai da ré, exerceu o direito de permanecer em silêncio.
O réu confesso também informou o local onde o corpo da vítima teria sido deixado e afirmou que o irmão participou apenas da retirada da motocicleta de Luciano das proximidades do local.
Três homens e uma mulher são julgados por homicídio duplamente qualificado, ocultação de cadáver e fraude processual. As qualificadoras apontadas na denúncia são motivo torpe e uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima. Todos respondem ao processo em liberdade.
Conforme a acusação, o crime teria ocorrido há três anos, entre quarta-feira, 26 de julho, e quinta-feira, 27 de julho, após a descoberta do relacionamento entre Luciano e uma das acusadas. A vítima teria sido atraída até uma área rural de Bom Jesus.
Ao longo do primeiro dia de julgamento, foram ouvidas oito das nove testemunhas previstas. Entre elas estavam a mãe de Luciano e o delegado Gustavo Costa do Amaral, responsável pela investigação iniciada após o registro do desaparecimento.
A mãe da vítima relatou os últimos momentos antes de o filho sair de casa e as buscas realizadas pela família nos dias seguintes. O delegado apresentou detalhes das diligências, incluindo a coleta e a análise de dados de celulares dos envolvidos.
A fase de depoimentos e interrogatórios foi encerrada por volta das 22h30. A retomada do júri estava prevista para as 9h de quarta-feira, 29 de julho, com os debates entre a acusação e as defesas.
O julgamento é presidido pela juíza de Direito Luciana Rech Slaviero Porath, da Vara Judicial da Comarca de Bom Jesus.
