Lulistas e bolsonaristas: estudo traz diferenças e semelhanças nos perfis dos eleitores
Uma pesquisa realizada pelo Instituto da Democracia (IDDC-INCT) traz novos dados sobre os perfis dos eleitores de Lula e Bolsonaro. O estudo, feito com 2.558 entrevistas presenciais de eleitores em 167 cidades, de todas as regiões do país, mostra que, embora haja algumas semelhanças, as diferenças entre os dois grupos são significativas, as informações são do Portal O Sul.
Aproximações
Em temas nos quais os brasileiros em geral pendem mais para posições conservadoras em agendas de costumes, como drogas e aborto, os dois grupos mostram alguma aproximação.
Mesmo entre os eleitores que declaram gostar de Lula, a maioria é contra a legalização das drogas (71%) e o aborto (77%). Entre os mais simpáticos ao ex-presidente, os contrários à legalização do aborto atingem 90%, enquanto 83% dizem o mesmo sobre as drogas.
Por outro lado, os dois grupos estão alinhados quanto ao tema que trata da prisão de mulheres que interrompam a gravidez. Esse índice é de 65% entre quem gosta de Lula, e de 53% entre quem simpatiza com Bolsonaro.
A redução da maioridade penal é outro tópico em que os dois lados concordam. Entre quem gosta muito de Lula, 62% se dizem a favor, enquanto 77% dos eleitores pró-Bolsonaro declaram o mesmo.
Diferenças
As maiores diferenças entre os dois grupos ficam evidentes quando o assunto é direitos da população LGBTQIA+, pena de morte e preferência pela democracia.
Os mais simpáticos ao petista apoiam em peso o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo (60% a favor e 38% contra) e a adoção por essas famílias (63% a favor e 35% contra). Já entre os mais identificados com o ex-presidente do PL os percentuais são invertidos: 69% são contra o casamento civil de gays e lésbicas, e 60% se opõem à adoção por esses casais.
Na pauta moral, a distância entre os dois espectros políticos fica evidente ainda em relação à pena de morte. Os que gostam de Lula são contrários (64%) a essa sentença, enquanto os apoiadores de Bolsonaro se dividem: 49% defendem a pena de morte e 47% não.
A diferença entre os dois segmentos fica mais exacerbada em perguntas sobre a preferência pela democracia, que trazem alertas para as instituições brasileiras.
Simpatizantes a Bolsonaro admitem, por exemplo, mais outras formas de governo que não a democracia (40%, ante 33% entre quem gosta muito de Lula) e seguem desacreditando nos resultados das eleições presidenciais de 2022 (72% dizem que foi Bolsonaro quem ganhou o pleito). Também consideram justificável, em maior proporção, militares tomarem o poder quando há muita corrupção (73%). Entre simpáticos a Lula, esse índice é de 38%.
O estudo mostra que, embora haja algumas semelhanças em temas específicos, os perfis dos eleitores de Lula e Bolsonaro são bastante distintos. Os lulistas são mais progressistas em questões sociais, enquanto os bolsonaristas são mais conservadores.
