Lula declara apoio à neutralidade do Canal do Panamá e firma acordos com país centro-americano

Brasil reconhece oficialmente tratado que garante operação neutra do canal e sela cooperação em áreas como comércio, agricultura, defesa e meio ambiente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quinta-feira, 28 de agosto, o apoio oficial do Brasil ao tratado que estabelece a neutralidade permanente e soberania do Panamá sobre o Canal do Panamá. O anúncio foi feito durante visita oficial do presidente panamenho, José Raúl Mulino, ao Palácio do Planalto, em Brasília.

Em seu discurso, Lula repudiou as recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou retomar o controle da via interoceânica. “Tentativas de restaurar antigas hegemonias colocam em xeque a liberdade e a autodeterminação de nossos povos”, afirmou o presidente brasileiro, destacando que o Brasil apoia integralmente a soberania panamenha sobre o canal, administrado com sucesso há mais de 25 anos.

O tratado reconhecido pelo Brasil é parte dos Tratados Torrijos-Carter, que garantem a neutralidade e a administração panamenha do canal desde 1999. O compromisso brasileiro reforça a posição do país como defensor do multilateralismo e da integração regional.

Além da declaração de apoio, foram firmados diversos acordos de cooperação. O Ministério dos Portos e Aeroportos assinou com a Autoridade do Canal do Panamá um memorando de entendimento para aprimorar as exportações brasileiras e modernizar os portos nacionais, com ênfase na troca de experiências e rotas sustentáveis.

Também foi assinado acordo na área agrícola e pecuária, abrangendo capacitação técnica, sanidade animal e vegetal, produção sustentável e inovação. Outro destaque foi o anúncio da venda de quatro aeronaves A-29 Super Tucano da Embraer ao Serviço Nacional Aeronaval do Panamá.

Na área da saúde, Lula confirmou que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apoiará o Panamá no fortalecimento de sua capacidade de produção de vacinas e no desenvolvimento de um polo farmacêutico regional.

No campo ambiental, o presidente Mulino confirmou presença na COP30, que será realizada em Belém em novembro, e relatou os impactos da crise migratória nas florestas da Região de Darién, na fronteira com a Colômbia. Ele também alertou para os efeitos da seca e o esforço panamenho para garantir o abastecimento de água ao canal por meio da construção de um novo reservatório.

Lula reforçou que Brasil e Panamá compartilham responsabilidades ambientais globais e convidou o país a aderir ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), iniciativa que será lançada na COP30 para compensar financeiramente os países que preservam florestas tropicais.

“Apesar de ser um dos poucos países que absorvem mais gases de efeito estufa do que emitem, o Panamá já lida com os efeitos da elevação do nível do mar”, disse Lula, citando o deslocamento da população indígena Guna como exemplo de injustiça climática.

A visita reforçou os laços diplomáticos e econômicos entre os dois países, alinhando agendas estratégicas em áreas como comércio, defesa, meio ambiente e desenvolvimento sustentável.

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