Luiz Henrique Perillo, de 35 anos, lutava contra trombofilia e teve a falência de intestino, estômago, fígado, pâncreas e rim

O arquiteto Luiz Henrique Perillo, de 35 anos, morreu nesta terça-feira, 30 de setembro, uma semana após ser submetido a um raro transplante multivisceral que substituiu cinco órgãos: intestino, estômago, fígado, pâncreas e rim.

A morte ocorreu devido a um choque séptico, uma infecção generalizada grave. O paciente estava em tratamento com antibióticos, o que levou à suspensão dos medicamentos imunossupressores, essenciais para impedir que o sistema imunológico rejeitasse os novos órgãos.

A informação foi comunicada pela mãe do arquiteto, Jussara Martins, em uma rede social: “Você lutou bravamente! Te amarei para sempre! Descanse em paz”.

A Luta pela Vida e a Cirurgia Complexa

A complexa operação, na qual cinco órgãos vieram de um único doador, foi realizada na terça-feira, 23 de setembro, em um hospital particular de São Paulo. A doação de um único doador é uma condição que aumenta as chances de sucesso do procedimento e minimiza os riscos de rejeição.

Luiz Henrique Perillo enfrentava uma doença rara de coagulação do sangue chamada trombofilia. Desde 2009, as tromboses atingiram a veia porta, responsável por levar sangue ao sistema digestivo, o que, com o tempo, causou a falência dos cinco órgãos. Em 2021, ele chegou a pesar apenas 34 quilos, mas recuperou as forças necessárias para se preparar para a cirurgia.

Segundo o professor André Ibrahim, especialista em técnica operatória da Unifesp, o transplante multivisceral pode durar entre 10 a 12 horas e exige órgãos que, idealmente, precisam ser reaproveitados em até 8 horas. O médico ressaltou a criticidade do manejo do paciente que apresentava falência do intestino e do fígado.

Transplante Raro e o SUS

O transplante multivisceral é um procedimento incomum. Segundo especialistas, quase 20 cirurgias desse tipo foram realizadas no Brasil nos últimos 15 anos.

Até fevereiro deste ano, o procedimento não era coberto pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, com a publicação de uma nova portaria, ele passou a integrar a lista de procedimentos da rede pública, com a expectativa de que a frequência aumente no país.