Nova lei italiana transfere para Roma análise da cidadania por descendência
Medida centraliza processos no Ministério das Relações Exteriores e pode ampliar burocracia, dizem críticos

Uma mudança significativa no processo de reconhecimento da cidadania italiana por descendência foi aprovada pelo Parlamento da Itália nesta quarta-feira (14). O projeto de lei 2369, ainda pendente de sanção presidencial, estabelece que a partir de 2029 os pedidos deverão ser analisados exclusivamente por um departamento do Ministério das Relações Exteriores, em Roma — retirando essa competência dos consulados italianos espalhados pelo mundo.
Com a nova regra, todos os processos passarão a ser feitos em formato físico e enviados diretamente à capital italiana, com previsão de até três anos para conclusão. O governo justifica a medida como uma tentativa de padronizar e agilizar os trâmites, mas entidades de italianos no exterior apontam que a medida dificulta ainda mais o acesso à cidadania. A presidente do Comites RS, Cristina Mioranza, classificou a mudança como um retrocesso, e o deputado Fabio Porta criticou o aumento da burocracia e a perda de autonomia consular.
O Consulado-Geral da Itália no Rio Grande do Sul preferiu não se pronunciar sobre o tema, que integra um pacote de medidas mais restritivas do atual governo italiano. A Corte Constitucional ainda pode rever a decisão, com análise marcada para março. A medida causa preocupação entre descendentes de italianos ao redor do mundo, especialmente no Brasil, um dos países com maior número de processos de reconhecimento de cidadania.






