Starmer bloqueia pedido de Trump para uso de bases britânicas em possível ataque ao Irã
Premiê do Reino Unido teria negado acesso a bases estratégicas após avaliar risco de violação do direito internacional; decisão ocorre em meio à escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã

O primeiro-ministro britânico Keir Starmer bloqueou um pedido do presidente americano Donald Trump para que forças dos Estados Unidos utilizassem bases aéreas britânicas em um eventual ataque preventivo ao Irã. A informação foi divulgada por veículos da imprensa britânica, que citam fontes governamentais.
Segundo o jornal The Times, Starmer negou o uso da base da RAF Fairford, na Inglaterra, e da instalação militar em Diego Garcia, território ultramarino britânico no Oceano Índico. Ambas são consideradas pontos estratégicos para operações militares de longa distância dos EUA.
De acordo com as reportagens, o governo britânico avalia que permitir o uso das bases poderia representar violação do direito internacional, uma vez que Estados que apoiam uma ação militar com conhecimento prévio das circunstâncias podem ser responsabilizados.
A divergência ocorre em meio ao aumento das tensões regionais. Os Estados Unidos reforçaram sua presença militar no Oriente Médio enquanto mantêm negociações com Teerã sobre a limitação do programa nuclear iraniano. Ao mesmo tempo, Moscou — que mantém acordo de parceria estratégica com o Irã — pediu moderação às partes envolvidas.
A discussão também se conecta ao debate sobre a soberania das Ilhas Chagos. Em 2019, o Tribunal Internacional de Justiça determinou que o Reino Unido deveria devolver o arquipélago à Maurícia. O território abriga a base conjunta EUA-Reino Unido em Diego Garcia, considerada estratégica para bombardeiros americanos.
Trump criticou publicamente o acordo de arrendamento negociado entre Londres e Maurícia, afirmando em sua rede social que o premiê britânico estaria “cometendo um grande erro”. Já o Departamento de Estado dos EUA declarou apoiar a decisão britânica de avançar com o entendimento.
Analistas avaliam que, em caso de uma nova ofensiva contra o Irã, o uso de bases mais próximas reduziria o tempo de deslocamento e reabastecimento de bombardeiros estratégicos. No entanto, essa proximidade também poderia expor equipamentos e forças a possíveis retaliações iranianas.
* Com informações de CNN.






