Alckmin diz que redução da jornada de trabalho é tendência mundial

Presidente em exercício assinou acordos com a Fiesp e defendeu debate aprofundado sobre mudanças na escala de trabalho

O presidente da República em exercício e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou na noite de segunda-feira, 23 de fevereiro, que a redução da jornada de trabalho é uma tendência mundial e deve ser debatida com profundidade no Brasil.

A declaração foi feita durante cerimônia na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), onde Alckmin assinou dois protocolos de cooperação voltados à defesa comercial e à melhoria do ambiente regulatório.

Durante o evento, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, sugeriu que a discussão sobre o fim da escala 6×1 seja adiada para 2027, por considerar que o debate pode ser influenciado pelo ambiente eleitoral.

Em resposta, Alckmin defendeu que o tema seja tratado com responsabilidade, destacando que a redução da jornada já ocorre em outros países. “Há uma tendência mundial de você ter uma redução. Aliás, isso já vem acontecendo. Então, esse é um debate que não deve fazer corridas e deve ser aprofundado, já que você tem situações muito distintas dentro do próprio setor produtivo”, afirmou.

Acordos de cooperação

Ao lado de Skaf, Alckmin assinou um protocolo de intenções sobre defesa comercial, com foco no combate a práticas desleais e ilegais no comércio exterior, e outro voltado ao ambiente regulatório, com o objetivo de reduzir burocracias e aumentar a competitividade.

Segundo o governo, a cooperação com o setor produtivo busca fortalecer o comércio justo e garantir o uso adequado dos instrumentos de defesa comercial previstos na legislação nacional e internacional. Entre as ações previstas está a criação de uma calculadora de margem de dumping, além do compartilhamento de ferramentas técnicas.

O segundo protocolo prevê iniciativas para desburocratização, redução de custos regulatórios e administrativos, ampliação da digitalização de serviços públicos e integração de sistemas.

Selic e cenário econômico

Em sua fala à diretoria da Fiesp, Alckmin também demonstrou confiança na possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciar a redução da taxa básica de juros na próxima reunião, prevista para março. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano.

Segundo ele, a apreciação do real e a desaceleração dos preços dos alimentos podem contribuir para um cenário mais favorável à queda dos juros.

Tarifa dos Estados Unidos

Alckmin avaliou ainda como positiva para o Brasil a decisão do governo dos Estados Unidos de estabelecer uma tarifa global de 15% sobre produtos importados.

Para o presidente em exercício, a medida beneficia o país ao uniformizar a cobrança para todas as nações. “O país mais beneficiado no mundo foi o Brasil”, afirmou, destacando que a nova política pode abrir espaço para fortalecer o comércio exterior com os norte-americanos.

O evento ocorreu durante reunião da diretoria da Fiesp, em São Paulo.

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