Governo amplia tarifas de importação e atinge mais de 1.200 produtos de tecnologia e máquinas

Planalto diz que medida protege a indústria nacional sem elevar preços, mas importadores alertam para efeito imediato nos custos

A partir de março, 1.252 itens dos setores de máquinas, equipamentos e tecnologia passarão a pagar Imposto de Importação mais elevado, conforme decisão do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex). A recomposição das alíquotas atinge produtos como computadores, smartphones, roteadores, servidores, equipamentos médicos, componentes eletrônicos e máquinas industriais e agrícolas, com percentuais agora distribuídos entre 7,2% e 25%. A iniciativa, segundo o governo, busca fortalecer a produção nacional diante do aumento das compras externas.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento Industrial do MDIC, Ualace Moreira, a medida foi estruturada para não pressionar os preços ao consumidor, uma vez que a maior parte dos bens afetados já possui fabricação local. No caso dos celulares, por exemplo, cerca de 95% dos aparelhos vendidos no país são produzidos internamente, inclusive modelos como o iPhone. Ele ressalta que itens sem produção nacional permanecem com tarifa zerada via ex-tarifário, e que setores estratégicos, como data centers, continuam contemplados com incentivos. O governo também mantém políticas como a Lei de Informática, a Lei do Bem e programas voltados a semicondutores, além de assegurar prazo até 30 de março para pedidos de revisão em casos específicos.

A Associação Brasileira dos Importadores (ABIMP), contudo, contesta a avaliação oficial. Para a entidade, a elevação — como a que levou a tarifa de smartphones de 16% para 20% — tende a gerar aumento imediato nos custos e impacto no preço final, especialmente em segmentos com oferta nacional limitada. O presidente da associação, Michel Platini, argumenta que muitos dos produtos atingidos são bens intermediários e componentes essenciais às cadeias produtivas, o que pode reduzir margens, afetar a competitividade das empresas brasileiras e provocar reflexos em exportações. Segundo ele, a mudança altera a dinâmica de abastecimento e pode produzir arrecadação no curto prazo sem garantir expansão estrutural da indústria.

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