Uma ocorrência policial de grande proporção terminou em morte, pânico e uma família ferida na noite de sexta-feira, 28 de fevereiro, em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, em Santa Catarina. O caso começou como uma verificação de perturbação de sossego e evoluiu para um episódio envolvendo violência doméstica, fuga em alta velocidade, colisão de trânsito e confronto com a Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC).

Durante o deslocamento, uma guarnição da PMSC percebeu um veículo em atitude suspeita no cruzamento das ruas Ruy Barbosa e Marconi. Um dos ocupantes chegou a abrir a porta com o carro ainda em movimento, o que motivou o início do acompanhamento policial.

O condutor seguiu em direção ao trevo de Canoas e à região do Brasil Atacadista. Em determinado momento, perdeu o controle do veículo e colidiu contra uma motocicleta. O motociclista sofreu fraturas no tornozelo e no fêmur, sendo socorrido pelo Samu. No automóvel estavam a companheira do homem e dois filhos menores, que foram atendidos pelo Corpo de Bombeiros e encaminhados ao Hospital Regional de Rio do Sul.

Conforme relato da mulher às autoridades, o homem passou a fazer ameaças durante o trajeto, afirmando que mataria toda a família. Ela também informou que ele teria pressionado uma faca contra seu pescoço e ameaçado provocar um acidente intencional. Ao perceber a presença da viatura, a vítima tentou sair do carro em movimento para pedir ajuda, mas foi impedida. Segundo o depoimento, o homem segurou uma das crianças como forma de coação, forçando-a a permanecer no veículo enquanto fugia.

Após a colisão, o suspeito desceu armado com uma faca e fugiu a pé em direção ao Parque Municipal Harry Hobus. Houve perseguição por diversas ruas, inclusive em áreas residenciais e comerciais com grande circulação de pessoas. Ele pulou muros, atravessou terrenos e chegou a invadir um restaurante com clientes, incluindo crianças, ampliando o risco a terceiros.

O cerco policial foi intensificado nas proximidades da Rua Abraham Lincoln, em frente ao Instituto Federal Catarinense, onde ocorria uma formatura. Mesmo cercado, o homem desobedeceu às ordens de parada. Um dos policiais utilizou dispositivo de eletrochoque na tentativa de contê-lo, mas a medida não foi suficiente para encerrar a ocorrência.

Segundo o registro, durante o desfecho da ação, o homem entrou em confronto com a guarnição e acabou morrendo no local. O Samu realizou atendimento e manobras de reanimação, mas o óbito foi confirmado às 19h55.

A ocorrência foi registrada como lesão corporal, ameaça em contexto de violência doméstica e morte decorrente da intervenção policial. A Polícia Científica realizou a perícia e recolheu o corpo, enquanto os trâmites investigativos ficaram sob responsabilidade da Polícia Civil.

O caso gerou forte comoção na cidade e deixou marcas profundas na família envolvida, além de mobilizar grande aparato de segurança em uma das áreas mais movimentadas do município.