Os preços de referência do gás natural no atacado na Holanda e no Reino Unido registraram forte alta nesta segunda-feira (2), após a intensificação do conflito entre Irã e Israel e a suspensão de embarques energéticos pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de petróleo e gás.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o gás era cotado a US$ 111,66, alta de 42,36% no dia. Na comparação com o fechamento de sexta-feira (27), a commodity acumulava avanço de 60,13%.

Suspensão de embarques pressiona mercado

Fontes do setor informaram que proprietários de navios-tanque, grandes petrolíferas e tradings suspenderam embarques de petróleo bruto, combustíveis e gás natural liquefeito (GNL) após alertas de Teerã para que embarcações evitassem a hidrovia.

A QatarEnergy confirmou a paralisação da produção de GNL após ataques a instalações nas cidades industriais de Ras Laffan e Mesaieed, no Catar.

Segundo a companhia, a produção foi interrompida “devido a ataques militares às instalações operacionais”.

Europa mais exposta

Cerca de 20% do GNL mundial transita pelo Estreito de Ormuz. Uma interrupção prolongada pode intensificar a concorrência global por outras fontes de gás.

Nos últimos anos, a Europa ampliou as importações de GNL para reduzir a dependência do gás russo após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

De acordo com Ole Hvalbye, analista do banco SEB, entre 8% e 10% das importações europeias de GNL estão indiretamente ligadas aos fluxos que passam por Ormuz.

Ele alerta que, em caso de interrupção, compradores asiáticos poderiam disputar cargas de GNL dos Estados Unidos, pressionando ainda mais os preços na Europa.

Indicadores disparam

O contrato holandês para o mês seguinte no hub TTF — principal referência europeia — subiu quase 8 euros, para 39,96 euros por megawatt-hora (MWh).

No Reino Unido, o contrato britânico avançou 23,43 pence, para 102 pence por termia, segundo dados da Intercontinental Exchange.

Analistas do Rabobank afirmam que mesmo uma redução parcial nos fluxos pode levar o TTF a 50 euros/MWh.

Estoques baixos ampliam risco

A Europa depende das importações de GNL para recompor seus estoques após o inverno. Segundo a Gas Infrastructure Europe, os níveis atuais estão em cerca de 30% da capacidade, abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

Analistas da Mind Energy alertam que uma escassez prolongada no fornecimento do Oriente Médio pode elevar ainda mais os preços e pressionar consumidores e indústrias no continente.

O mercado segue atento aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio e às condições de navegação no Estreito de Ormuz, considerado estratégico para o abastecimento energético global.

* Com informações de CNN e Reuters.