Preço do diesel acumula alta de 20% após início de conflito no Irã
Setor produtivo alerta para risco de desabastecimento nacional enquanto medidas do governo federal não contêm pressão externa nas bombas
O preço médio do diesel S10 registrou a terceira alta semanal consecutiva, acumulando um salto superior a 20% desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) divulgados nesta sexta-feira, 20 de março, a gasolina comum também apresentou elevação de 5,9% no período. O cenário reflete a disparada do barril de petróleo Brent, que atingiu US$ 108,20, neutralizando os esforços do governo federal, como a isenção de PIS/Cofins, para tentar amortecer o impacto dos preços ao consumidor final.
Entidades do setor de combustíveis emitiram uma nota oficial alertando para o risco de desabastecimento nacional caso novas providências não sejam adotadas com brevidade. O grupo explica que a mistura de biodiesel e os custos logísticos diluem os subsídios governamentais, fazendo com que o reajuste de R$ 0,38 por litro aplicado pela Petrobras chegue com força às bombas. Assinam o documento federações como Fecombustíveis e Abicom, que destacam a necessidade de medidas extras para proteger o mercado interno da volatilidade internacional.
Em paralelo, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) intensificou a fiscalização, notificando distribuidoras que representam 70% do mercado brasileiro por práticas irregulares. Até o momento, a força-tarefa já alcançou 1.880 postos em 25 estados, resultando em mais de 900 notificações e 36 sanções, incluindo multas e interdições. O Ministério da Justiça anunciou que manterá o monitoramento rigoroso para evitar abusos de preços, enquanto o governo estuda o uso de estoques estratégicos da Petrobras como mecanismo de defesa.
