Evento raro no Pacífico indica risco de Super El Niño ainda em 2026
Fenômeno de ventos intensos pode acelerar aquecimento global das águas e repetir impactos severos
Meteorologistas identificaram um fenômeno atmosférico poderoso no Pacífico Central, conhecido como Estouro de Vento de Oeste (WWB), que deve acelerar a chegada do El Niño nos próximos meses. O evento é descrito por especialistas como um dos mais fortes já registrados e atua como um “gatilho”, invertendo o padrão dos ventos alísios e deslocando águas quentes para a costa da América do Sul. A análise da MetSul Meteorologia, publicada nesta sexta-feira, 27 de março, indica uma probabilidade crescente de um episódio de intensidade extrema, possivelmente um Super El Niño.
Atualmente, o monitoramento aponta a existência de um El Niño Costeiro, com águas 1,6°C acima da média nos litorais do Peru e Equador, gerando impactos regionais. No entanto, a expectativa é que o aquecimento se propague para o Pacífico Centro-Leste entre o final do outono e o início do inverno, instalando a forma clássica ou canônica do fenômeno. Este padrão global é conhecido por alterar severamente o clima, provocando grandes enchentes no Sul do Brasil e secas em partes do Norte e Nordeste.
A formação de ondas Kelvin, geradas pelos fortes ventos, aprofunda a camada de águas quentes e impede a ressurgência de águas frias, criando um ciclo de retroalimentação térmica. Histórica e estatisticamente, eventos de WWB com essa magnitude estiveram presentes em grandes crises climáticas, como as de 1997-98 e 2023-24. Se as projeções se confirmarem, o segundo semestre de 2026 poderá enfrentar anomalias de temperatura e precipitação em escala planetária, com reflexos imediatos na agricultura e infraestrutura brasileira.
