A discussão sobre qual município merece o reconhecimento de primeira cidade italiana do Brasil voltou ao centro das atenções em Brasília, impulsionada por um projeto que tramita na Câmara dos Deputados. A proposta pretende revisar a legislação que, desde 2018, concedeu ao município de Santa Teresa, no Espírito Santo, o status de berço da imigração italiana, reacendendo uma antiga rivalidade histórica entre os dois estados.

Autoridades e representantes de Santa Catarina defendem que o marco inicial da presença italiana ocorreu em 1836, quando imigrantes teriam formado um núcleo no território que hoje corresponde à cidade de São João Batista. Para os catarinenses, o critério determinante deve ser a primeira evidência documentada de presença italiana, independentemente da dimensão ou da organização da comunidade formada na época.

Já o Espírito Santo sustenta que o título deve considerar a formação de comunidades estruturadas e permanentes, destacando o ano de 1874 como referência histórica, quando chegaram grupos organizados que consolidaram a colonização em Santa Teresa. Embora o reconhecimento não gere benefícios financeiros diretos, ele possui forte valor simbólico, cultural e turístico, mobilizando lideranças políticas e instituições dos dois estados enquanto o projeto segue sem data definida para votação final.