Uma desembargadora do Tribunal de Justiça do Pará classificou como “muito triste” a situação financeira da magistratura e afirmou que a categoria pode entrar em um “regime de escravidão” sem o recebimento de verbas indenizatórias. As declarações foram feitas durante sessão da Terceira Turma de Direito Penal, em reação indireta à recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de endurecer as regras para o pagamento de penduricalhos a juízes e membros do Ministério Público.

Dados do Portal da Transparência revelam que a magistrada teve uma remuneração bruta de R$ 117.861,72 em março, resultando em um salário líquido de R$ 91.211,82. Durante sua fala, ela alegou que os profissionais do setor não terão como arcar com contas básicas ou consultas médicas no futuro próximo. A desembargadora sustentou ainda que a categoria é vista pela população como “vilã” e ressaltou que a rotina de trabalho é excessiva, estendendo-se a revisões de votos durante a noite e em fins de semana.

O desabafo da magistrada ocorre em um momento de contenção de gastos no Judiciário, após o STF limitar gratificações por direito de foro e auxílios-alimentação. Segundo a desembargadora, a falta desses benefícios compromete a dignidade da função, alegando que colegas já estariam deixando de tomar medicamentos por falta de recursos. O Tribunal de Justiça não emitiu notas adicionais sobre as declarações, que geraram forte repercussão devido ao contraste entre os valores recebidos e a comparação com o trabalho escravo.

Com informações de GZH.