O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou, nesta terça-feira, 12 de maio, que as provas periciais e análises técnicas afastaram a hipótese de agressão praticada por adolescentes contra o cão Orelha, encontrado morto na Praia Brava, em Florianópolis.

A conclusão foi baseada na análise de quase 2 mil arquivos digitais, incluindo vídeos, imagens, dados de celulares apreendidos, laudos técnicos e depoimentos de testemunhas. Com base no material, as Promotorias de Justiça responsáveis pelo caso pediram o arquivamento do procedimento investigatório.

Segundo a manifestação protocolada na Vara da Infância e Juventude da Capital, as investigações identificaram um erro na cronologia inicialmente apresentada pela apuração policial.

As Promotorias apontaram uma diferença de cerca de 30 minutos entre os horários registrados pelas câmeras do sistema público Bem-Te-Vi e as imagens das câmeras privadas do condomínio onde estava um dos adolescentes investigados.

Com a correção dos horários, foi constatado que o adolescente e o cão Orelha não estiveram juntos no mesmo local no momento em que a suposta agressão teria ocorrido. Conforme o Ministério Público, as imagens mostram que, enquanto o adolescente estava próximo ao deck da praia, o animal estava a aproximadamente 600 metros de distância.

Além disso, a perícia indicou que o cão ainda estava considerado bem cerca de uma hora após o horário em que a agressão supostamente teria acontecido.

Outro ponto destacado pelo MPSC foi o laudo veterinário realizado após a exumação do corpo do animal. A perícia não encontrou fraturas, cortes ou lesões compatíveis com maus-tratos ou agressões recentes.

De acordo com o documento, o cão apresentava sinais de osteomielite, uma infecção óssea grave e crônica na região da mandíbula. Os peritos também identificaram uma lesão antiga associada a problemas dentários avançados, além de inflamação e perda de pelos na região do rosto.

O Ministério Público afirma que o conjunto de provas indica que a morte do cão está relacionada ao quadro clínico grave, e não a agressões.

As Promotorias também informaram que não foram encontrados vídeos ou testemunhas que comprovassem agressões ao animal na faixa de areia da Praia Brava. Segundo o órgão, parte da narrativa surgiu a partir de comentários em redes sociais, boatos e relatos indiretos.

O caso ainda terá novos desdobramentos. O MPSC informou que irá apurar possível monetização de conteúdos falsos relacionados ao episódio e analisar situações de linchamento virtual envolvendo adolescentes, com apoio do CyberGAECO.

O Ministério Público também informou que as investigações relacionadas aos cães conhecidos como Caramelo foram arquivadas. Conforme as autoridades, as imagens analisadas mostraram que os adolescentes estavam apenas brincando com os animais, sem tentativa de afogamento ou maus-tratos. No caso do cão que teria sido arremessado para dentro de um condomínio, as imagens apontaram que os adolescentes não chegaram a tocar no animal.

Fonte: SCC10