Quase dez anos após a queda do avião da LaMia na Colômbia, a Justiça reconheceu a responsabilidade da Associação Chapecoense de Futebol pela morte do jornalista Giovani Klein Victoria, que tinha 28 anos na época do acidente. O clube foi condenado a pagar R$ 450 mil de indenização por danos morais, valor que será dividido igualmente entre a esposa e os pais da vítima, recebendo R$ 150 mil cada. A decisão cabe recurso, e a Chapecoense informou em nota que não irá comentar o caso por se tratar de um processo ainda em andamento.

Na sentença proferida nesta quarta-feira, 20 de maio, o juiz apontou a responsabilidade civil objetiva e solidária do clube por ter fretado a aeronave. O magistrado destacou que houve negligência na escolha da empresa aérea, afirmando que a agremiação assumiu o risco ao optar pela alternativa mais barata em detrimento de opções mais seguras. Os pedidos da família por danos materiais, como pensão mensal e custeio de tratamento psicológico, foram negados pela Justiça devido à falta de comprovação de gastos e de dependência econômica.

A defesa do clube catarinense argumentou que o repórter da RBS TV embarcou gratuitamente para realizar a cobertura esportiva da final da Copa Sul-Americana, o que afastaria a responsabilidade civil, mas a tese foi rejeitada. O acidente, ocorrido em 29 de novembro de 2016, resultou em 71 mortes e teve como causa a pane seca por falta de combustível, decorrente de falhas na gestão de risco da companhia LaMia. Durante a tramitação da ação judicial, os familiares do jornalista desistiram do processo contra a linha aérea e a seguradora Bisa Seguros.