A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) afirmou nesta quarta-feira, 20 de maio, que o governo não deve negociar emendas apresentadas por partidos de oposição à PEC do fim da escala 6×1 caso elas resultem em aumento da jornada de trabalho.

Durante entrevista ao programa Alô Alô Brasil, apresentado por José Luiz Datena, na Rádio Nacional, Erika disse que não há espaço para negociações envolvendo compensações como desoneração da folha em troca de mudanças que ampliem a carga trabalhista.

“O governo vai dar aquilo que cabe para ser dado. Esse tipo de compensação, desoneração da folha, não há espaço para este tipo de negociação. Não haverá nenhuma entrega a mais além da necessária, que é dar ao trabalhador brasileiro um dia a mais de descanso”, afirmou a deputada.

Segundo Erika Hilton, os pequenos empreendedores não são os principais responsáveis pela pressão por alterações no texto da PEC. Para ela, a mobilização parte de setores interessados em ampliar o prazo de transição ou aumentar a carga horária semanal.

“O pequeno empreendedor, o pequeno empresário, não é aquele que está fazendo todo esse espetáculo. Não é ele que está ligado a esses deputados que querem apresentar transição em dez anos, que querem aumentar a carga trabalhista para 52 horas”, declarou.

A parlamentar defendeu que questões específicas podem ser ajustadas para garantir uma transição organizada entre os setores econômicos. Entre as alternativas citadas, estão isenções tributárias, fortalecimento das convenções coletivas e regulamentação por meio de projeto de lei.

“O Projeto de Lei virá para dar uma regulamentada e entender as particularidades dos setores e garantir que a transição da jornada não traga nenhum tipo de prejuízo”, disse.

Erika Hilton também afirmou que o fim da escala 6×1 não trará prejuízos à economia. Segundo a deputada, estudos do Dieese apontam que a redução da jornada pode gerar mais de 3 milhões de novos postos de trabalho logo após a aprovação da medida.

“Quando as empresas têm menos trabalhadores doentes, menos trabalhadores errando por causa da jornada exaustiva, isso significa, no fim do dia, lucratividade”, destacou.

As declarações foram feitas em meio à apresentação de emendas à PEC que trata da redução da jornada de trabalho. Uma delas, apresentada pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS), propõe que o fim da escala 6×1 passe a valer dez anos após a promulgação da emenda constitucional. A proposta já conta com a assinatura de 176 deputados federais.

Fonte: Agência Brasil