Petro contesta pré-contagem eleitoral na Colômbia e diz que só aceitará resultado oficial
Presidente colombiano afirma que houve alteração em software de apuração preliminar; oposição lidera contagem prévia e segundo turno está marcado para domingo, 21 de junho
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que não reconhece o resultado preliminar das eleições presidenciais realizadas no domingo, 31 de maio. A pré-contagem, feita por empresas privadas, apontou vantagem de quase 800 mil votos para o candidato da oposição.
Segundo dados divulgados pelo Registro Nacional de Estado Civil, o opositor de extrema-direita Abelardo de La Espriella recebeu 43,7% dos votos, o equivalente a 10.361.499 votos. Já o candidato governista de esquerda, Ivan Cepeda, ficou com 40,9%, somando 9.688.361 votos.
Petro declarou, em uma rede social, que não aceita os resultados da contagem preliminar feita por uma empresa privada ligada aos irmãos Bautista. Segundo o presidente, os algoritmos do software de contagem e apuração teriam sido alterados três vezes na última semana, com a inclusão de 800 mil fichas de inscrição eleitoral de pessoas que, segundo ele, não constariam no censo oficial.
Na Colômbia, o voto não é obrigatório. O comparecimento às urnas foi de 57,8% entre os mais de 41 milhões de eleitores. Votos brancos e nulos somaram cerca de 3%. O segundo turno da eleição está marcado para domingo, 21 de junho.
A pré-contagem eleitoral colombiana tem caráter apenas informativo e não possui validade legal. O próprio Registro Nacional de Estado Civil informa que esses dados não podem ser considerados documento eleitoral definitivo.
Petro afirmou que existem dois censos no país: o oficial e o sistema utilizado pela empresa responsável pela contagem preliminar. De acordo com ele, seções eleitorais contestadas indicariam a inclusão de votos sem a existência de eleitores inscritos.
O presidente colombiano declarou que aceitará apenas os resultados vinculativos das comissões eleitorais supervisionadas por juízes da República.
As críticas de Petro têm como alvo os empresários Felipe, Camilo e Fernando Bautista, donos da empresa de tecnologia Thomas Greg & Sons, uma das responsáveis pela pré-contagem. A espanhola Indra também participa do processo.
O especialista em política colombiana Matheus Petrelli, pesquisador do Observatório Político Sul-Americano, ligado à Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), explicou que esse tipo de contagem já ocorreu em eleições anteriores e está previsto na legislação, mas não tem validade jurídica. Segundo ele, o resultado oficial costuma ser divulgado entre duas semanas e um mês após a votação.
Após aparecer em primeiro lugar na pré-contagem, Abelardo de La Espriella criticou a postura do governo Petro, falou em risco à democracia e pediu que os Estados Unidos e outros países acompanhem o segundo turno.
O candidato governista Ivan Cepeda, do Pacto Histórico, coalizão que governa a Colômbia, afirmou que há discrepâncias a serem verificadas antes de comentar o resultado preliminar. Segundo ele, a campanha avalia relatos de padrões de votação atípicos em seções eleitorais.
A eleição colombiana é considerada estratégica para a geopolítica da América do Sul. Uma vitória de De La Espriella pode aproximar novamente a Colômbia dos Estados Unidos. Já a eleição de Cepeda representaria a continuidade do projeto político do Pacto Histórico, liderado por Gustavo Petro, primeiro presidente de esquerda da história do país.
Petro não pode disputar a reeleição, pois a legislação colombiana não permite novo mandato consecutivo.
Fonte: Agência Brasil
