União e estado de São Paulo pedem falência do Grupo Dolly
Pedido foi protocolado na Justiça após encerramento de recuperação judicial sem quitação de passivo bilionário
As procuradorias do estado de São Paulo e da Fazenda Nacional protocolaram, nesta quarta-feira, 1 de julho, um pedido conjunto de falência para as empresas que compõem o Grupo Dolly. A solicitação foi enviada à 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, que conduzia a recuperação judicial da fabricante de refrigerantes desde 2018. O processo de reestruturação foi extinto sem conclusão em maio deste ano, e a tentativa posterior da companhia de migrar para uma recuperação extrajudicial foi inviabilizada pelo descumprimento dos requisitos legais.
Os procuradores apontam que o grupo utilizou o processo judicial para adiar as cobranças sem regularizar os débitos tributários, que hoje somam R$ 15,746 bilhões em inscrições de dívida ativa. Segundo as autoridades, a maior parte do passivo fiscal é considerada exigível e não possui garantias suficientes para a quitação. A petição sustenta que todas as formas tradicionais de cobrança foram frustradas, uma vez que o passivo tributário, sempre apontado pela empresa como o motivo de sua crise, jamais foi efetivamente equacionado.
A ação judicial relata a ocorrência de manipulações contábeis, sucessões societárias e confusão patrimonial, configurando um suposto esquema para esvaziar empresas, transferir bens e criar novas sociedades para manter as operações e ocultar impostos. Diante do cenário, os órgãos públicos defendem que apenas a falência permitirá a arrecadação universal dos bens, a investigação patrimonial profunda, a responsabilização dos administradores e a eventual recuperação dos ativos que foram desviados ao longo dos anos.
