Um estudo liderado pela bióloga brasileira Tatiana Coelho-Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), avaliou o uso da polilaminina em pacientes com lesão medular traumática e relatou melhora neurológica em seis dos oito participantes, o equivalente a 75% da amostra.

Segundo as informações divulgadas sobre a pesquisa, todos os pacientes começaram o acompanhamento classificados como AIS A, categoria utilizada para lesões medulares completas. Após o tratamento, cinco evoluíram para AIS C e um para AIS D.

A pesquisa analisou pacientes que receberam uma única aplicação de polilaminina poucos dias após o trauma, com intervalo médio de 2,3 dias. Os resultados indicaram melhora de pelo menos dois níveis na escala neurológica AIS em seis participantes.

Os pesquisadores ressaltam, porém, que a melhora na classificação neurológica não significa necessariamente que os pacientes voltaram a caminhar. Os resultados apontam recuperação de funções neurológicas e motoras em diferentes graus.

Três participantes também apresentaram melhora em exames neurofisiológicos utilizados para avaliar a transmissão de sinais pelo sistema nervoso.

De acordo com os dados apresentados no estudo, não foram observados eventos adversos graves atribuídos diretamente à aplicação da polilaminina. Três participantes morreram durante o período de acompanhamento da pesquisa, mas, segundo os autores, as mortes não foram consideradas relacionadas ao tratamento após avaliação dos casos.

O estudo piloto foi realizado com oito pacientes recrutados entre dezembro de 2016 e janeiro de 2021. Os próprios pesquisadores destacam que os resultados ainda precisam ser confirmados em estudos maiores, controlados e com metodologia capaz de determinar com mais precisão quanto da recuperação observada pode ser atribuída à polilaminina.

Paralelamente, a substância também vem sendo utilizada no Brasil em situações específicas por meio de uso compassivo, autorizado individualmente. Esses casos, no entanto, não podem ser somados aos resultados do estudo clínico, já que seguem critérios diferentes de acompanhamento e coleta de dados.

A pesquisa representa uma etapa inicial na investigação da polilaminina como possível alternativa para pacientes com lesão medular, mas a eficácia e a segurança do tratamento ainda dependem de novas fases de estudos clínicos e de avaliação regulatória.

A divulgação do estudo ocorreu no sábado, 8 de agosto.

Fonte: Só Notícia Boa, com informações divulgadas pelos pesquisadores, ReBEC e publicação científica citada pela reportagem