O Sul do Brasil registrou três tornados em um intervalo de apenas doze dias, atingindo municípios do Rio Grande do Sul e do Paraná. Segundo a avaliação da MetSul Meteorologia, os episódios recentes não devem ser tratados como uma sequência isolada ou encerrada. O meteorologista Luiz F. Nachtigall aponta que os meses de maior risco para o surgimento de tempestades severas e novas ocorrências do fenômeno ainda estão por vir na Região Sul.

A formação dos sistemas é favorecida pela posição geográfica da região, que atua como ponto de encontro entre o ar quente e úmido e as massas de ar frio vindas da Argentina. Esse choque térmico, somado ao forte cisalhamento do vento, cria um ambiente de elevada instabilidade. Além do padrão climatológico, a presença do El Niño de intensidade excepcional altera a circulação atmosférica e eleva o risco de ondas de tempo severo.

Com a aproximação da primavera, a maior oferta de calor e umidade na atmosfera servirá de combustível para a organização de tempestades. Embora seja impossível prever local e data exatos para a formação de um tornado, o cenário meteorológico exige atenção reforçada nos próximos meses. O aumento do uso de celulares e o monitoramento contínuo também têm permitido registrar com maior precisão esses eventos localizados.